
Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo paulista, renovou suas críticas a Flávio Bolsonaro (PL) devido às tratativas do senador junto a autoridades americanas para que as facções PCC e Comando Vermelho sejam classificadas como entidades terroristas.
Em postagem na rede social X, o petista classificou a ação como um gesto de submissão: “O presidente Lula apertou a mão do Trump. Flávio foi lá beijar a mão dele. Essa subserviência dos bolsonaristas a outro país é péssima para o Brasil. Nós temos que ter um diálogo de igual para igual. Trocar informações e fortalecer a cooperação, como já vem acontecendo há muito tempo”, apontou o político no último domingo (31).
Haddad também reprovou o apoio manifestado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao senador. “O presidente Lula fez inúmeras reuniões com o governo americano, isso nunca foi nem pauta. Então, os Bolsonaro, Flávio, Eduardo, eles continuam jogando contra o país. E o estranho é o governador Tarcísio elogiar isso, como se isso fosse um grande gesto. Isso não é um grande gesto, isso depõe contra o país”, argumentou durante agenda no Largo do Arouche, na capital paulista.
Anteriormente, na quinta-feira (28), Tarcísio havia celebrado o trabalho de Flávio, publicando em suas redes sociais que PCC e CV “não são facções”, mas “terroristas armados contra o povo brasileiro e com atuação além das nossas fronteiras”.
Em reação, Haddad intensificou as críticas na rede social X: “Eu acho um escândalo o Tarcísio e o Flávio aceitarem esse tipo de hierarquia. Eles não podem ver o Trump que já começam a beijar a mão”.
Na visão do pré-candidato do PT, o enfrentamento ao crime organizado pertence à esfera da segurança pública, e não da defesa nacional, alertando que a conduta do clã Bolsonaro pode comprometer a parceria bilateral. Haddad relembrou que a colaboração entre as nações é histórica e que a estratégia atual pode gerar repercussões negativas na diplomacia e na economia. “Nunca houve desavença, nós sempre cooperamos, Brasil e Estados Unidos, em todos os governos”, reforçou.
Por fim, o petista mencionou que a classe empresarial já expressa inquietação sobre os desdobramentos da articulação, reiterando sua rejeição ao que define como um comportamento subordinado. “É fumaça, que encarece, cria uma subserviência do Brasil, e isso pedido por brasileiros. Quer dizer, tem um governo no Brasil. Isso tem que ser acertado com o governo brasileiro”, concluiu.