Justiça libera mais 3 meses para Ministério Público apurar esquema do PCC; entenda

Conforme antecipado pela coluna Manoela Alcântara, do Metrópoles, promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) haviam solicitado, por meio de uma manifestação confidencial, a dilação do tempo para a coleta de provas

03/06/2026 às 11h40
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Reprodução: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Justiça de São Paulo assegurou à Promotoria de Justiça um acréscimo de 90 dias para o prosseguimento das diligências ligadas à Operação Carbono Oculto, tida como a mais expressiva investida já realizada contra as facções criminosas no território nacional.

Conforme antecipado pela coluna Manoela Alcântara, do Metrópoles, promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) haviam solicitado, por meio de uma manifestação confidencial, a dilação do tempo para a coleta de provas.

A bilionária engenharia de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), estruturada tanto na cadeia de distribuição de derivados de petróleo quanto no coração financeiro da Avenida Faria Lima, é descortinada por um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) aberto ainda em 2024.

Membros da promotoria confidenciaram, sob a condição de anonimato, que o emaranhado de dados e a necessidade de laudos técnicos ainda não finalizados inviabilizam o encerramento do inquérito de imediato. Um dos elementos determinantes para essa extensão foi a nova etapa da Carbono Oculto, coordenada em conjunto com forças federais e secretarias do estado de São Paulo.

O foco da mais recente incursão policial foi golpear as estruturas econômicas da quadrilha, mirando de perto seis startups do setor financeiro que transacionaram a expressiva cifra de R$ 46 bilhões ao longo de um quadriênio.

Nas palavras do corpo de investigadores, o grupo empresarial atuava como um sólido braço bancário informal, servindo para efetuar acertos contábeis internos entre as bases distribuidoras e os revendedores de combustíveis.

O monitoramento revelou ainda o envolvimento de CNPJs de fachada e carteiras de aplicações geridas pela cúpula do bando, além da quitação de honorários a prestadores de serviços e do custeio de luxos e aportes particulares dos cabeças do esquema.

Mecanismo sob suspeita

De acordo com os auditores do Fisco Federal, os fluxos de caixa acenderam o sinal vermelho quando foram detectados expressivos aportes efetuados em papel-moeda, uma prática vista como totalmente destoante da rotina operacional de qualquer operadora de pagamentos legítima.

Essas plataformas digitais possuíam contas correntes ativas em grandes bancos tradicionais, estratégia que adicionava um filtro extra de blindagem para camuflar o rastro do dinheiro.

Os cálculos apontam que, no recorte de 2022 a 2024, somente uma das instituições sob escrutínio chegou a acolher mais de R$ 1 bilhão por meio de depósitos físicos em espécie.

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