'Devolve o dinheiro, senão me aguarde', diz novo áudio de Deolane para mulher suspeita de pegar R$ 80 mil

O estopim do vazamento dos áudios foi uma denúncia de Denise Rosane Bastos, ex-diarista da família

03/06/2026 às 12h13
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Estadão
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Reprodução: Agnews
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Áudios obtidos pela Polícia Civil de São Paulo na Operação Vérnix expuseram uma postura intimidadora da influenciadora digital Deolane Bezerra, além de reforçarem as suspeitas de seus vínculos com a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). Atualmente detida na Penitenciária de Tupi Paulista sob acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa, a famosa rejeita qualquer ligação com o crime: "Eu não sou bandida", declarou.

O estopim do vazamento dos áudios foi uma denúncia de Denise Rosane Bastos, ex-diarista da família. Deolane e seus filhos acusaram a funcionária de furtar uma sacola contendo R$ 80 mil em espécie do apartamento de Kayky, um dos herdeiros da famosa, no bairro do Tatuapé. Em tom de ameaça, a advogada disparou contra a funcionária em uma das ligações: "Devolve o dinheiro do meu filho e segue a sua vida porque senão... você me aguarde". Em outro trecho gravado, ela ordena: "Vai lá aonde você guardou, pega e traz na minha casa".

Em conversas paralelas com outras pessoas, a influenciadora demonstrou total convicção sobre a culpa da funcionária e detalhou desconfianças antigas, afirmando que a empregada já havia cometido pequenos delitos no ambiente de trabalho. Ela pontuou: "A Denise me conhece, de trouxa eu não tenho nem a cara. Ela me conhece...".

Cobrança e confissão do crime organizado

Após sofrer revistas informais de seguranças particulares, a faxineira fugiu para o interior do estado, onde passou a ser coagida por desconhecidos ligados ao crime organizado. Em um dos telefonemas, um homem tentou dobrar a funcionária de forma ríspida: "Vamos resolver isso daí da melhor forma. Mas se você meter o loco em nóis, vai ser poca ideia, falou?".

Na sequência da conversa, o emissário da facção explicitou a parceria comercial com o núcleo familiar da advogada: "A mãe do parceiro, o parceiro fecha com nóis, então faz o favor. Devolve o dinheiro aí, vai tê os oitenta mil de volta. Nóis fez a puxada da sua vida todinha. Você não vai fazer nóis bater de novo na porta da sua casa, né?".

As investigações, comandadas pela Delegacia Seccional de Presidente Venceslau, apontam que o montante do PCC era escoado por uma transportadora fantasma e pulverizado em 35 empresas abertas por Deolane. Para os delegados, o teor dos áudios é um elemento crucial que conecta o clã da influenciadora diretamente à engrenagem financeira do tráfico internacional.

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