Governo Lula tenta evitar tarifaço com os EUA antes de 15 de julho

A expectativa no Palácio do Planalto é utilizar esse período para buscar um consenso que barre a aplicação da sobretaxa de 25% sobre bens exportados pelo Brasil

05/06/2026 às 11h14
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: O Globo
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Reprodução: Ricardo Stuckert/PR
Reprodução: Ricardo Stuckert/PR

Membros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, envolvidos nas tratativas diplomáticas com Washington, sinalizaram que o dia 15 de julho marca o limite estipulado pelo governo norte-americano para uma definição sobre o cenário comercial. A expectativa no Palácio do Planalto é utilizar esse período para buscar um consenso que barre a aplicação da sobretaxa de 25% sobre bens exportados pelo Brasil.

Recentemente, a administração Trump publicou dois pareceres fundamentados na Seção 301 do estatuto comercial estadunidense. O primeiro deles, revelado na terça-feira (2), impôs um tributo de 25% sobre itens nacionais, alegando condutas mercantis que Washington classifica como inadequadas. O documento cita desde a utilização do Pix e direitos de propriedade intelectual até temas como o desmatamento, afirmando que certos comportamentos do Brasil são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio dos EUA com o país.

No dia seguinte, a Casa Branca propôs um encargo entre 12,5% e 60% para diversas nações, sob o pretexto de omissão contra o “trabalho forçado”. O Brasil figura entre os citados, sendo acusado de falhas em fiscalizações específicas. Analistas internacionais veem essa ofensiva como uma manobra do republicano para reconstruir sua barreira protecionista, após a Suprema Corte estadunidense ter invalidado, em fevereiro de 2025, os planos anteriores de imposição de taxas.

Ambas as medidas não são de execução imediata; elas passarão por um ciclo de audiências públicas, com um veredito aguardado para o próximo mês.

A cúpula do governo federal acredita que a reversão da taxação de 25% é um objetivo mais plausível via diplomacia do que a disputa em torno da alíquota referente ao trabalho forçado, a qual afeta um grupo vasto de países, inclusive aliados próximos aos EUA, como a Argentina. Entretanto, a discussão sobre essa segunda tarifa pode ser usada como uma carta na manga para negociar a exclusão do Brasil do tarifaço de 25%.

Possíveis Acordos

Segundo interlocutores próximos às discussões, o interesse norte-americano foca em ampliar a penetração de seus manufaturados no mercado brasileiro, especialmente em tecnologia de comunicação (hardwares) e instrumentos médicos. Nesse contexto, a administração brasileira não descarta flexibilizar suas alíquotas de importação para destravar o impasse.

Embora o Planalto tenha mencionado a possibilidade de recorrer à Lei de Reciprocidade, assessores diretos de Lula indicam que tal medida permanece apenas no campo das alternativas cautelares, sem intenção de uso imediato. A presença do petista na próxima cúpula do G7 é vista como uma oportunidade estratégica para contatos de alto nível, embora não haja qualquer compromisso formal entre os chefes de Estado.

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