
Uma petição protocolada por um advogado no Supremo Tribunal Federal (STF) solicita que a Polícia Federal instaure um inquérito contra figuras tão distintas quanto o papa Leão XIV, o chefe do Executivo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-mandatário Jair Bolsonaro e o astro de Hollywood Leonardo DiCaprio. O requerimento sustenta a tese de que tais personalidades estariam envolvidas em uma rede global de clonagem.
A peça jurídica, que aguarda definição de relatoria na Corte, elenca uma série de crimes extraordinários, alegando a existência de um grupo que promove “clonagem de DNA, controle mental, manipulação genética e substituição de pessoas por clones”.
O jurista, Kelmo Martins Bandeira, responsável pela iniciativa, amplia a lista de investigados para incluir a Igreja Católica, Hunter Biden e parentes de DiCaprio, batizando a suposta articulação pelos codinomes “666” e “Babilônia”. Entretanto, o pleito carece de qualquer suporte documental, técnico ou evidência científica que legitime a narrativa apresentada.
O autor da denúncia descreve um cenário de ficção, no qual cidadãos seriam mantidos em isolamento para fins de clonagem, alteração fenotípica e usurpação de identidade. O documento chega a listar como supostos envolvidos ou atingidos pela conspiração "a maioria dos artistas baianos", “a turma do Calcinha Preta” e grandes contingentes das populações de São Luís e Fortaleza.
Dentre os nomes citados como alvos da organização, encontram-se personalidades como Neymar, Ronaldo Fenômeno, William Bonner e a falecida cantora Marília Mendonça, sobre a qual o advogado sustenta a teoria de que a artista estaria viva, sendo o óbito resultado da substituição por uma versão clonada dela.
Baseando-se em conceitos distorcidos, o texto assevera que “O projeto GENOMA decodificou o código genético dos humanos. A partir daí iniciou-se uma prática de alteração das características físicas da pessoa, incluindo a possibilidade de alteração de sexo e de qualquer característica física”.
Prosseguindo em suas alegações, o requerente afirma que “O estrago é de grande monta. Pessoas começaram a ser assediadas e violentamente tiveram a sua genética clonada. Outra pessoa, acompanhada de robôs, assume a identidade genética e a vida do outro. Geralmente quem pratica o crime no Brasil é membro de facção”.
A tentativa de contato com o advogado para esclarecimentos não logrou êxito. Da mesma forma, não há clareza sobre os motivos que levaram o profissional a recorrer ao STF, instância que possui atribuições restritas à defesa da Constituição.
O ordenamento jurídico brasileiro não obriga a tramitação de processos manifestamente delirantes. Caso o magistrado designado identifique a peça como inócua, infundada ou abusiva, ele poderá indeferi-la de plano, encerrando o caso sem analisar o conteúdo da demanda.
Além disso, condutas que sobrecarregam o sistema com pleitos despropositados podem ensejar punições por litigância de má-fé, resultando em multas e o ônus do pagamento de despesas processuais pelo autor.