Haddad alfineta oposição e afirma: “Estão de cabeça baixa com Trump e caso Master”

Segundo o político, o eleitorado conservador encontra-se “de cabeça baixa”, pressionado tanto por recentes retaliações comerciais propostas pelos Estados Unidos quanto por denúncias que conectam o senador Flávio Bolsonaro (PL) a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master

05/06/2026 às 14h37
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: O Globo
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Reprodução: Diogo Zacarias/MF
Reprodução: Diogo Zacarias/MF

Durante um debate sobre propostas habitacionais promovido pelo Sindicato dos Engenheiros em São Paulo na terça-feira (2), o ex-titular da Fazenda e postulante petista ao Palácio dos Bandeirantes, Fernando Haddad, comentou o atual momento dos apoiadores de Jair Bolsonaro. Segundo o político, o eleitorado conservador encontra-se “de cabeça baixa”, pressionado tanto por recentes retaliações comerciais propostas pelos Estados Unidos quanto por denúncias que conectam o senador Flávio Bolsonaro (PL) a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

"Eles estão desorganizados com toda a confusão que armaram. É Trump de um lado, Master do outro. Quando você vai numa cidade do interior que antes tinha blitz bolsonarista ameaçando na porta da cidade, acabou isso aí, não tem mais, está tudo mais quietinho. Eles ainda são valentes na rede social, mas no presencial, estão todos de cabeça baixa, porque eles sabem o que fizeram com o país", ironizou o ex-prefeito de São Paulo.

As suspeitas que pesam sobre o filho do ex-presidente derivam de registros apreendidos pela Polícia Federal. O material sugere que Flávio solicitou um aporte de R$ 134 milhões ao banqueiro, hoje detido por suspeitas de fraudes financeiras e cooptação de servidores. Os recursos teriam sido direcionados a um fundo estadunidense para financiar "Dark Horse", um longa-metragem biográfico sobre seu pai, ainda inédito.

Simultaneamente, o cenário externo adicionou tensão à base bolsonarista. O Escritório de Comércio dos EUA recomendou, na mesma data, uma taxação sobre itens brasileiros, sob alegação de práticas anticompetitivas. A medida ocorre poucos dias após uma reunião entre Donald Trump e Flávio Bolsonaro, embora o parlamentar negue qualquer participação com tal restrição.

Durante sua exposição no evento, Haddad não poupou críticas ao senador e ao atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ao abordar a pauta de habitação, fez uma alusão indireta à residência de luxo comprada por Flávio em Brasília por quase R$ 6 milhões, ressaltando que os paulistas buscam residências populares, mas não necessitam de “mansão”.

O candidato do PT ainda buscou vincular Tarcísio à agenda de extrema direita, prometendo um programa de “união e reconstrução” para o estado. Além disso, teceu críticas severas à gestão estadual, rotulando a privatização da Sabesp como uma entrega a “administradores abutres” e tachando seu adversário de “neoliberal acabando com o caixa do estado”.

Por fim, Haddad satirizou o apoio político recebido pelo governador paulista:

"Eu falo com policial e os caras falam mal do Tarcísio, falo com prefeito e os caras falam mal do Tarcísio, falo com professor e os caras falam mal do Tarcísio. Aí hoje ele perguntou para os prefeitos: “Vocês não gostam de mim?” E os caras falaram: “Não, a gente gosta”. Ele diz: “Tá vendo, o Haddad inventando coisa”. Imagina se isso tem cabimento. Como diz o Ariano Suassuna, a gente é educado e só fala mal pelas costas".

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