
Miguel Falabella abriu o coração ao relembrar os desafios que enfrentou no início da carreira por causa de sua sexualidade. Aos 69 anos, o artista comentou o assunto ao falar sobre seu novo trabalho nos palcos, que aborda questões ligadas à identidade e ao preconceito.
Durante entrevista ao jornal O Globo, Falabella destacou como o cenário era diferente há algumas décadas. “Hoje é até ‘jurássico’, de mau tom, falar da sexualidade dos outros. As pessoas são o que são e acabou, mas há 40 anos havia muito preconceito”, relembrou.
O ator afirmou que, naquela época, a orientação sexual de um artista poderia influenciar diretamente as oportunidades profissionais. “Não existia falar disso abertamente, as pessoas sempre foram de extrema crueldade. E a sexualidade também poderia restringir os papéis de um ator. Eu driblei tudo isso, mas, para sobreviver, tinha que ser forte”, declarou.
Falabella também avaliou as mudanças que aconteceram ao longo dos anos e destacou que o debate sobre diversidade avançou significativamente. Apesar disso, ele acredita que as novas gerações precisam conhecer as dificuldades enfrentadas por quem viveu períodos de maior intolerância. “A discussão de gênero avançou bastante, mas é importante que o passado não suma, até por reverência a quem passou por isso”, afirmou.
O tema dialoga diretamente com seu novo espetáculo, Victor ou Victoria. A produção acompanha a trajetória de uma cantora desempregada que encontra o sucesso na Paris dos anos 1930 ao assumir a identidade de um homem que se apresenta como mulher nos palcos.
Além de Falabella, o musical reúne nomes como Alessandra Verney, Maria Clara Gueiros e Junno Andrade no elenco.