
A equipe do parlamentar fluminense Flávio Bolsonaro (PL), postulante ao Palácio do Planalto, divulgou no fim da última semana sua trilha sonora inaugural de campanha, guiada pelo lema “Vem com Fé”. O jingle publicitário, previamente noticiada pela Gazeta do Povo, busca consolidar e ampliar a sintonia do político com a ala tradicional e religiosa, elegendo as crenças e o cristianismo como eixos doutrinários de sua propaganda eleitoral.
O vídeo, de dois minutos, explora intensamente a memória afetiva e a conexão ideológica do segmento da direita. A montagem exibe recortes visuais do antigo governante do país, Jair Bolsonaro, da ex-primeira-dama Michelle, além dos legisladores Eduardo e Carlos Bolsonaro, buscando transmitir uma imagem de união familiar em torno da candidatura do senador.
Conforme os organizadores do comitê, o propósito primordial reside em engajar o núcleo resistente do eleitorado. O plano prioriza preceitos convencionais desse espectro político, levantando bandeiras ligadas à devoção espiritual e à livre expressão da prática religiosa.
A divulgação da música ocorreu logo após a presença do pré-candidato em um grande evento evangélico paulista. O político vem adensando suas manifestações com citações das Escrituras Sagradas e narrativas voltadas à “batalha espiritual” recentemente. Em declaração na véspera do lançamento, ele asseverou:
“Vamos orar pelo nosso Brasil, essa guerra é espiritual. Maior resposta que podemos dar ao mal que vai ser expulso do governo do Brasil neste ano".
Dados estatísticos do instituto Meio/Ideia divulgados no fim de maio apontam que o senador detém expressiva liderança numérica perante este nicho numa projeção de embate final contra o atual mandatário. Nesse recorte, o filho do ex-presidente atinge 66,6% da preferência, frente a 22,9% do líder petista.
A amostragem apurou também o seguinte cenário dentro do segmento religioso:
74,1% dos entrevistados creem que o atual ocupante do Planalto não é merecedor de uma recondução ao cargo.
A aprovação favorável à atual gestão federal alcança meros 23,3% (compostos por 15,8% de ótimo e 7,5% de bom).
A rejeição somada bate a casa dos 48,3%, sendo a administração qualificada como “péssimo” por 23,3% e classificada como “ruim” por 25% dos ouvidos.
Nota Metodológica: A amostragem consultou 1.500 cidadãos por ligações telefônicas entre 23 e 27 de maio de 2026. A pesquisa apresenta variação estatística de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com índice de acerto de 95%, estando catalogada na corte eleitoral sob a identificação BR-02918/2026.
Sob a ótica do acadêmico em teologia Dione Caruzo, especialista nos cruzamentos socioculturais entre fé e poder por mais de trinta anos, o adensamento dessa retórica atende a um manual metodológico já testado com êxito pelo conservadorismo nacional. Conforme seu ponto de vista, em conjunturas de fricção institucional, o resgate de dogmas morais atua como um forte aglutinador coletivo.
"Funciona como um mecanismo para preservar a unidade da base e evitar a dispersão de apoiadores", pondera o analista à Gazeta do Povo.
O estudioso argumenta que a conduta do pré-candidato não representa uma encenação fabricada, mas sim o desdobramento natural dos laços tecidos por seu genitor. “Ele já é herdeiro simbólico de Jair Bolsonaro dentro das igrejas. Ele só perde essa herança política se mudar o discurso ou começar a perder o apoio das lideranças”, finaliza o teólogo.
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