
Do contingente de 54% de cidadãos brasileiros que declaram acompanhar os desdobramentos sobre a instituição financeira Master, uma fatia de 48% joga o ônus sobre a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva por ter consentido com as falhas e desvios. Em contrapartida, 32% dos entrevistados apontam o dedo para o mandato anterior de Jair Bolsonaro.
Os indicadores integram o recente estudo estatístico da empresa PoderData, conduzido entre os dias 30 de maio e 1º de junho de 2026. O instituto organizou a coleta de dados por meio de duas indagações sucessivas. Inicialmente, questionou-se ao participante:
“Você ficou sabendo sobre o caso do Banco Master, que inclui acusações de fraude bancária, lavagem de dinheiro, compra de leis e corrupção?”
Na sequência, direcionando a palavra estritamente aos que deram resposta afirmativa, aplicou-se o segundo questionamento:
“Quem você acha que foi o principal responsável por permitir as ilegalidades do Banco Master?”
A checagem revelou ainda que uma parcela expressiva de 44% da população ignora completamente o assunto, enquanto 2% preferiram não opinar.
O imbróglio virou munição pesada na disputa entre a esquerda e a oposição tendo em vista as próximas eleições. O núcleo governista se esforça para atrelar as fraudes a Bolsonaro, ao ex-comandante do Banco Central Roberto Campos Neto e ao parlamentar Flávio Bolsonaro, principal adversário direto do atual presidente na corrida ao Planalto. Por outro lado, a ala opositora empenha-se em colar o desgaste ético na atual liderança do país.
As investigações policiais trouxeram à tona pontes de diálogo construídas por Daniel Vorcaro, o idealizador do banco, com figuras de ambas as vertentes partidárias. O capítulo mais recente dessa crise expõe um arquivo de áudio no qual Flávio solicita aportes financeiros ao banqueiro.
Vazamento: O áudio veio a público em 13 de maio por meio do portal Intercept Brasil.
Destinação: O capital serviria para patrocinar o projeto cinematográfico “Dark Horse”, obra biográfica focada na trajetória de Jair Bolsonaro.
Valores: De acordo com o veículo de mídia, uma quantia de no mínimo US$ 10,6 milhões circulou de fevereiro a maio de 2025 para subsidiar a produção.
O fato de 48% dos conhecedores do caso atribuírem culpa ao governo federal indica que a estratégia de comunicação do Palácio do Planalto fracassou em transferir totalmente a crise para o campo rival, mantendo a atual administração no centro dos debates negativos.
A pesquisa foi custeada com verbas próprias do braço estatístico do Poder360. As entrevistas ocorreram de forma remota via chamadas para aparelhos celulares e telefones fixos.
O levantamento computou 2.500 interações validadas, abrangendo 166 municípios distribuídos pelas 27 unidades federativas do país. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, operando sob um intervalo de confiança de 95%.
Para atingir uma amostragem que espelhe com precisão as reais divisões de gênero, idade, faturamento econômico, nível de instrução e demografia da sociedade, a equipe efetua dezenas de milhares de tentativas de contato, muitas vezes superando a marca de 100 mil telefonemas até consolidar os respondentes ideais.