
A congressista Erika Hilton (PSOL-SP) manifestou profunda indignação ao classificar como "lamentável" a postura do magistrado Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Durante sua participação no programa Frente a Frente, transmitido pelo Canal UOL, a deputada sugeriu que o ministro atuou como um "cabo eleitoral" do congressista Flávio Bolsonaro (PL) ao interromper a veiculação do mais recente diagnóstico estatístico da AtlasIntel.
Em uma avaliação preliminar, a parlamentar paulista apontou que o bloqueio judicial transparece como uma manobra com o objetivo de amortecer a repercussão de estatísticas desfavoráveis ao senador.
Crítica Direta: "É lamentável que tenhamos um ministro se comportando como cabo eleitoral de um candidato. Eu não vi quais eram os méritos do pedido e não sei se havia ali uma base profundamente legal. Não me parecia, pela rápida leitura que eu fiz", desabafou Erika.
Embora tenha ponderado que não se aprofundou nos fundamentos jurídicos que sustentaram o requerimento do Partido Liberal, a deputada federal ressaltou que o veredito chamou sua atenção por configurar uma atitude que considerou "enviesado" e desenhado para "diminuir" o declínio político do filho do ex-presidente demonstrado nos levantamentos de opinião pública.
Hilton cobrou publicamente uma postura neutra da presidência da Corte Eleitoral:
"Eu espero que o ministro não se esqueça do seu papel. Ele não é o ministro de uma família, de um candidato. Ele é o ministro do Brasil, para fazer valer as eleições de maneira limpa, democrática, respeitando a Constituição Brasileira", alertou Hilton.
Ao ser questionada se a concessão da tutela de urgência guardaria relação direta com a gratidão política, visto que Nunes Marques foi alçado ao Supremo Tribunal Federal por indicação de Jair Bolsonaro, a deputada respondeu de forma afirmativa.
"Não posso afirmar com convicção, mas acredito que sim. Talvez se fosse um pedido do presidente Lula ao ministro, talvez ele não desse a decisão da maneira como deu", concluiu a parlamentar do PSOL.
As reflexões e análises sobre essa interferência no tabuleiro eleitoral ocorreram no debate conduzido pelos jornalistas Daniela Lima e Fábio Zanini, focado nas costuras de bastidores e nos arranjos estratégicos que desenham as frentes partidárias voltadas ao pleito de outubro.