
O mapa cultural do Brasil está passando por uma transformação silenciosa — e os números ajudam a comprovar isso. Conhecido historicamente como o país do samba, da bossa nova e do “banquinho e violão”, o brasileiro agora demonstra uma conexão cada vez maior com ritmos como sertanejo, gospel e piseiro.
Os dados fazem parte da pesquisa “A cultura no espelho”, desenvolvida pela TV Globo em parceria com a Quaest e apresentada durante um summit no Rio2C, um dos maiores eventos de criatividade e inovação da América Latina. O levantamento oferece um retrato detalhado sobre hábitos culturais, entretenimento e referências afetivas da população brasileira.
Segundo Felipe Nunes, CEO da Quaest e idealizador do estudo ao lado de Suzana Pamplona, diretora de pesquisa e conhecimento da Globo, o Brasil vive uma espécie de “pluralidade singular”, conceito usado para definir a diversidade cultural do país e a convivência de diferentes estilos e preferências entre os brasileiros.
Entre os dados que mais chamaram atenção, está a permanência de grandes nomes históricos no imaginário popular. A pesquisa aponta que os brasileiros ainda enxergam figuras do passado como seus maiores ídolos nacionais. No esporte, Ayrton Senna e Pelé seguem liderando o sentimento de orgulho popular. Já na cultura e no entretenimento, Silvio Santos e Roberto Carlos continuam entre os nomes mais admirados do país.
O resultado levanta um debate importante sobre a dificuldade de surgirem novas personalidades capazes de alcançar o mesmo impacto cultural das antigas gerações. Para especialistas e produtores presentes no evento, o cenário atual evidencia uma possível carência de novos ícones nacionais com força suficiente para unir diferentes públicos.
Ao mesmo tempo, o estudo mostra como os hábitos culturais dos brasileiros estão mudando rapidamente. O crescimento do sertanejo, da música gospel e do piseiro reforça a transformação no perfil de consumo de entretenimento no país.
A pesquisa da Globo e da Quaest foi criada justamente para ajudar o mercado audiovisual e os criadores de conteúdo a entenderem melhor o comportamento do público brasileiro diante dessas mudanças culturais.