
Enquanto o cenário eleitoral é dominado pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, o músico Renan Santos, de 42 anos, surge como uma surpresa ao alcançar entre 3% e 6% das intenções de voto. Pré-candidato pelo partido "Missão", ele consolida-se como a terceira via, mesmo sem nunca ter ocupado um cargo público.
Sua trajetória é marcada pelo ativismo digital, sendo cofundador do MBL em 2014. O grupo ganhou notoriedade com táticas de guerrilha virtual, memes e protestos que impulsionaram o impeachment de Dilma Rousseff. Hoje, Renan aposta intensamente nas redes sociais, onde possui 1,5 milhão de seguidores no Instagram e uma militância digital ativa no WhatsApp, focando no público masculino jovem.
A retórica de Santos é agressiva e radical. Sobre o adversário Flávio Bolsonaro, declarou em vídeo: "O traíra tem que morrer, e o traíra é o Flávio Bolsonaro. Ele precisa ser destruído, e eu vou acabar com a raça do Flávio Bolsonaro". Embora tenha alegado que se referia à "morte política", a intensidade do discurso é uma marca de sua campanha, que também classifica Lula como "o grande larápio da nação".
Seu programa defende teses controversas, como o fim do voto universal e a aplicação do "Direito Penal do Inimigo" para integrantes de facções criminosas. Além disso, propõe um plano de "desfavelização" e o endurecimento contra beneficiários de programas sociais.
O histórico do pré-candidato e de seu grupo político é permeado por episódios polêmicos, como a cassação de Arthur do Val, aliado de Renan, após vazamento de áudios misóginos na Ucrânia, onde comentários sobre o próprio Renan vieram à tona: "O Renan faz uma viagem todo ano, ele chama tour des blondes. Ele viaja os países e vai só para pegar loira. Ele tem técnicas, ele está avançado. Pra começar, ele fala sueco, o cara é viciado nisso". O próprio Renan já havia confirmado essa prática em entrevistas. Com uma campanha focada na internet e propostas de forte impacto, o pré-candidato busca converter o engajamento digital em viabilidade eleitoral para 2026.