
Além de gerar turbulência na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o desgaste diplomático recente entre o Brasil e os Estados Unidos ameaça um pilar central da identidade política da oposição: o patriotismo, valor reiteradamente enfatizado pelo espectro conservador. Conforme o levantamento Genial/Quaest divulgado na última quarta-feira (10), expressiva parcela do eleitorado avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra maior inclinação patriótica que o filho do ex-presidente, seu adversário político.
Ao serem indagados sobre qual liderança melhor personifica a defesa da soberania nacional, 47% dos consultados apontaram Lula, em contraste com os 37% que preferiram Flávio Bolsonaro. Paralelamente, 10% dos ouvidos consideram que “nenhum dos dois” cumpre bem esse papel, ao passo que 6% preferiram se abster.
A análise desses números sugere a crença de que a eventual imposição de sobretaxas americanas a produtos nacionais, comunicada pelo governo estadunidense no último dia 2 de junho, seria reflexo direto das articulações da família Bolsonaro em território americano visando o pleito de 2026. A advertência sobre novas taxas surgiu poucos dias depois do encontro entre Flávio e Eduardo Bolsonaro com o presidente Donald Trump, em Washington, ocorrido em 26 de maio.
Dados da consultoria Quaest revelam que 47% do eleitorado corroboram as críticas de Lula, no sentido de que Flávio teria solicitado a implementação de sanções contra o país com o intuito de desgastar o governo central. Por outro lado, 35% acreditam na versão de que o senador teria, na verdade, suplicado ao governante americano pela não aplicar as sanções.
Quanto à fundamentação da Casa Branca sobre “concorrência desleal”, a opinião pública nacional também demonstra maior adesão à postura do atual mandatário. Cerca de 46% dos votantes concordam com a interpretação de que o tarifaço seria uma represália direta ao sistema de pagamentos Pix, enquanto 36% dão crédito à narrativa bolsonarista, que atribui a medida a um contra-ataque às declarações de cunho antiamericano feitas pelo petista.
Sobre a tensão bilateral, 57% dos entrevistados refutam a tese de que o intercâmbio comercial entre as nações seja iníquo ou lesivo a companhias norte-americanas, enquanto 21% enxergam uma assimetria na balança comercial que favoreceria o mercado brasileiro.
A sondagem Genial/Quaest ouviu 2.004 cidadãos em 120 cidades brasileiras entre 5 e 8 de junho de 2026. O estudo apresenta um erro amostral de 2 pontos percentuais (pp), para cima ou para baixo, e conta com um intervalo de confiança de 95%. O protocolo eleitoral referente ao levantamento está registrado sob o código BR-07661/2026.