
Fernando Haddad (PT), postulante ao comando do Palácio dos Bandeirantes, declarou na quinta-feira (11) que a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisou revisar “quase todos os contratos” de concessão ferroviária estabelecidos por Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante sua gestão à frente do Ministério da Infraestrutura, no governo de Jair Bolsonaro (PL).
“Quase todos os contratos de concessão de ferrovia do Tarcísio, como ministro, tiveram que ser refeitos pelo Renan Filho (MDB-AL), ministro (dos Transportes), com o acompanhamento do Tribunal de Contas da União. Então ele é especialista em assinar contrato mal feito”, disparou o petista aos repórteres que cobriam o “Seminário Políticas Públicas para as Mulheres”, encontro voltado à elaboração de suas diretrizes de governo.
O antigo chefe da Fazenda fez a crítica logo após qualificar como “mal-feito” o processo de desestatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), finalizado em meados de 2024. Na ocasião, a gestão paulista alienou 32% dos 50,3% de participação que detinha na estatal, arrecadando R$ 14,8 bilhões.
“Quando você privatiza mal, você tem 1.000 problemas de administração de um contrato mal-feito. O contrato tá mal-feito, né? Tem vários problemas”, argumentou o ex-ministro durante o ato realizado na sede do Sindicato dos Engenheiros, na capital paulista.
Haddad ainda projetou que as tarifas de água devem manter trajetória de alta enquanto os rendimentos da entidade privatizada tendem a crescer exponencialmente. “Quem comprou a própria companhia, já tá lucrando os tubos. Previsão é que o lucro da Sabesp triplique em 2 anos. Triplique em 2 anos. Quem tá pagando essa conta? É o consumidor”, acrescentou.
Em resposta ao Poder360, a assessoria do governo de São Paulo defendeu o legado de Tarcísio de Freitas, destacando projetos de expansão no setor logístico ferroviário. A administração mencionou, entre outros pontos, a Ferrovia Norte-Sul, a Fiol, os aportes na Malha Paulista e a criação do Marco Legal das Ferrovias, que facilitou aportes da iniciativa privada.
“O governador Tarcísio de Freitas promoveu uma ampla agenda de expansão ferroviária no país enquanto esteve à frente do Ministério da Infraestrutura. Entre as principais realizações, destaca-se o leilão da Ferrovia Norte-Sul, que assegurou R$ 2,7 bilhões em investimentos no trecho de mais de 1,5 mil quilômetros entre Estrela d’Oeste, em São Paulo, e Porto Nacional, em Tocantins.”
“Outro leilão bem-sucedido foi o do primeiro trecho da Fiol, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, entre Ilhéus e Caetité, na Bahia, que garantiu aporte de mais de R$ 3,3 bilhões para a conclusão do segmento e o início das operações. Também houve avanços nas obras da Fiol 2, entre Caetité e Barreiras, e no projeto da Fiol 3, entre Barreiras e Figueirópolis, já no Tocantins.”
“A renovação antecipada da concessão da Malha Paulista assegurou outros R$ 6 bilhões em investimentos para o setor ferroviário brasileiro. Por meio do mecanismo de investimento cruzado, Tarcísio de Freitas viabilizou a construção da Fico, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste, com R$ 2,7 bilhões em investimentos para 383 quilômetros de trilhos entre Mara Rosa, em Goiás, e Água Boa, em Mato Grosso, além da integração com a Ferrovia Norte-Sul. Com o novo Marco Legal Ferroviário, abriu caminho para que o setor privado pudesse investir diretamente no setor por meio do regime de autorizações. Reunidos no programa Pro Trilhos, os requerimentos somaram mais de R$ 180 bilhões em investimentos previstos”.