PF rejeita 2ª proposta de delação de Vorcaro e sinaliza ao STF

Segundo o entendimento dos peritos da PF, as informações fornecidas pelo antigo dono do Banco Master foram insuficientes, limitando-se a dados que a equipe já detinha

12/06/2026 às 13h20
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Valor
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Reprodução: Divulgação/Banco Master
Reprodução: Divulgação/Banco Master

A Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeitou a segunda oferta de delação premiada submetida pelos advogados de Daniel Vorcaro. Segundo o entendimento dos peritos da PF, as informações fornecidas pelo antigo dono do Banco Master foram insuficientes, limitando-se a dados que a equipe já detinha, falhando em fornecer o subsídio necessário para o surgimento de ramificações inéditas no inquérito.

Adicionalmente, os investigadores apontaram um desconforto com o comportamento do colaborador. A percepção é a de que ele ainda não teria conseguido “virar a chave” de forma completa, mantendo uma postura que não condiz com a necessidade de admitir condutas ilícitas cometidas em seus contatos com agentes públicos.

Após a recusa da primeira investida no mês anterior, a Procuradoria-Geral da República (PGR) optou por manter o diálogo aberto, solicitando um documento mais denso, o que impeliu a defesa a apresentar uma versão aprimorada, forçando a PF a retornar à mesa de debates.

Mesmo nesta nova tentativa, que trouxe nomes e eventos até então alheios às ações da corporação, o órgão federal entende que o conteúdo é insuficiente, não superando o que já consta no extenso acervo probatório sob análise, o qual deve implicar um número maior de figuras políticas.

O diagnóstico atual é de que a Operação Compliance Zero, responsável por deter Vorcaro e descortinar seu intrincado esquema de irregularidades financeiras e vínculos com a classe política, não atingiu “nem na metade” do seu potencial investigativo, possuindo munição para ir mais longe.

Desde o final de maio, Vorcaro cumpre custódia na ala especial da superintendência da PF em Brasília, onde dispõe de horários estendidos para interlocução com seu corpo jurídico, visando exclusivamente a elaboração desse termo de colaboração. Esse privilégio, chancelado pelo magistrado André Mendonça, possui vigência apenas até este sábado.

Apurações do Valor indicam que, caso a PGR enxergue mérito em persistir nas conversas, essa prerrogativa de visitas amplas aos defensores pode ser renovada. Atualmente, o detento conta com permissão para ser visitado pelos advogados durante todo o expediente, além de acesso aos dados contidos em seu telefone celular, apreendido e periciado pela PF, facilitando o suporte técnico para a construção do acordo.

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