
O ex-governador de Minas Gerais e postulante ao Palácio do Planalto, Romeu Zema (Novo-MG), teve sua participação cancelada em um fórum de sua própria agremiação política em Santa Catarina. O recuo da organização ocorreu logo após o político mineiro tecer duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), em razão de uma cobrança financeira direcionada ao empresário Daniel Vorcaro, que foi detido sob suspeita de irregularidades fiscais por meio do Banco Master.
Além de retirar o convite feito ao ex-governador, a liderança do partido em Santa Catarina sinalizou que poderá vetar a validação do nome de Zema na corrida presidencial durante as convenções internas da sigla. A reunião da legenda está agendada para ocorrer em 4 de julho, na cidade de Joinville.
“Se não houver uma mudança drástica e imediata na equipe de comunicação do pré-candidato, o diretório estadual de Santa Catarina deverá se posicionar contrariamente à indicação de Romeu Zema como candidato à Presidência da República pelo Novo”, afirmou a legenda em nota.
Os ataques de Zema contra o parlamentar fluminense ganharam força depois que gravações divulgadas pelos veículos de comunicação expuseram a exigência de R$ 134 milhões junto ao banqueiro. O montante serviria para financiar uma produção cinematográfica a respeito do histórico político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Mais adiante, o próprio congressista confirmou ter se reunido com Vorcaro após o investidor ser colocado em liberdade, em novembro do ano anterior.
O representante mineiro definiu o episódio da cobrança como “imperdoável” e expressou um profundo sentimento de revolta. Para embasar o veto à presença de Zema na agenda catarinense, o comitê estadual do Novo alegou que a urgência atual do país demanda a coesão do bloco conservador para fazer oposição à gestão federal.
“Essa decisão decorre da avaliação de que o atual momento político exige esforços voltados à união da direita brasileira em torno de um objetivo maior: construir uma alternativa forte e competitiva para derrotar o PT e retirar a esquerda do poder em 2026”, completou a legenda.
Em outra parte do posicionamento oficial, a agremiação ressaltou a importância de estreitar laços entre as forças de direita, sublinhando que a conjuntura atual demanda “convergência, diálogo e foco” no desenvolvimento de projetos voltados à população e à expansão econômica do país.
Apesar da retaliação imposta pela base de Santa Catarina, Zema optou por mitigar o ruído e suavizar o embate. Durante uma agenda realizada na capital paulista na segunda-feira (15), o político de Minas Gerais utilizou uma postura diplomática e indicou que seu foco primordial está na costura de composições de longo prazo para as eleições.
“Eu não tiro nada do que eu falei, está dito, mas estou olhando para o futuro agora. A direita vai estar unida no segundo turno, sim. Se eu discordo dele [do Flávio], eu discordo muito mais do PT”, declarou.
O presidenciável buscou ainda reduzir a gravidade dos reflexos desse desentendimento nos acordos regionais entre o Novo e o PL. Sob a sua ótica, a cooperação entre ambas as siglas “está feita e caminha bem”, o que afasta o risco de uma ruptura de alianças nos próximos meses.