Mãe de Henry Borel, Monique Medeiros vive reclusa e sob ameaças após deixar a prisão, diz advogado

Defesa afirma que mãe de Henry Borel enfrenta campanha de ódio, evita sair de casa e dedica os dias ao estudo do próprio processo

17/06/2026 às 09h04
Por: Rahabe Gabriela
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Após deixar a prisão, Monique Medeiros vive reclusa e sob ameaças, diz advogado / Reprodução Brunno Dantas TJRJ
Após deixar a prisão, Monique Medeiros vive reclusa e sob ameaças, diz advogado / Reprodução Brunno Dantas TJRJ

Após deixar a prisão, Monique Medeiros tenta retomar a vida longe da exposição pública. No entanto, segundo seu advogado, Hugo Novais, a rotina da ex-professora está longe de ser considerada normal. Em entrevista concedida ao portal LeoDias, o defensor afirmou que a mãe de Henry Borel permanece vivendo de forma extremamente reservada devido às ameaças e ataques que continua recebendo.

Condenada por tortura por omissão e beneficiada com perdão judicial pelo homicídio culposo relacionado à morte do filho, Monique deixou o sistema prisional após quase cinco anos. Entretanto, de acordo com a defesa, a liberdade não significou o fim das dificuldades.

“Qualquer tipo de limitação que uma pessoa tenha em virtude de uma ameaça acaba se tornando uma segunda prisão. É claro que isso não se compara ao cárcere, mas a Monique vive acuada. Ela recebe, de diversas formas, campanhas de ódio, e isso faz com que permaneça cada vez mais reservada”, declarou Hugo Novais.

Segundo o advogado, o receio de represálias faz com que Monique praticamente não mantenha contato com a vida pública. Desde que deixou a prisão, ela teria evitado até mesmo atividades simples do cotidiano.

“Ela não sai. Não vai nem à esquina comprar um refrigerante. A vida dela hoje é extremamente restrita por conta das ameaças que continua recebendo”, revelou.

“Ela nunca conseguiu viver o luto do Henry”, diz defesa

Longe da antiga rotina profissional e sem frequentar ambientes sociais que costumava visitar antes da prisão, como academias e salões de beleza, Monique tem dedicado grande parte do tempo à análise dos documentos relacionados ao caso que marcou sua vida.

De acordo com o defensor, ela passa horas revisando depoimentos, laudos periciais, decisões judiciais e demais registros produzidos ao longo da investigação e do processo criminal. “Ela conhece esse processo como poucas pessoas conhecem. Estamos falando de mais de 20 mil páginas que ela estuda diuturnamente”, afirmou.

Na avaliação de Hugo Novais, a intensa batalha judicial enfrentada nos últimos anos impediu que sua cliente elaborasse emocionalmente a perda do filho. Segundo ele, o foco constante nas acusações, audiências e etapas processuais acabou ocupando todo o espaço que poderia ter sido destinado ao luto.

“Ela nunca conseguiu viver o luto do Henry. Durante anos, ela precisou sobreviver às acusações, às audiências, aos depoimentos e à prisão. Não houve espaço para viver o luto de forma adequada”, pontuou.

Demissão da Prefeitura também é alvo de questionamento

Além das consequências do processo criminal, a defesa afirma que Monique precisou enfrentar outro impacto após deixar o sistema prisional: a exoneração do cargo que ocupava na Prefeitura do Rio de Janeiro. Para o advogado, a decisão teria sido influenciada por questões políticas e não pelos critérios técnicos previstos na administração pública.

“Essa demissão não tem compromisso com os princípios constitucionais da administração pública. Ela tem compromisso com o eleitor, com a politicagem”, criticou. Hugo Novais informou que ainda analisa as circunstâncias da exoneração e não descarta recorrer à Justiça futuramente.

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