Miguel Falabella aponta que TV virou “refém do tribunal da internet”

Sem rodeios, o veterano avaliou que os veículos de comunicação se tornaram excessivamente cautelosos para evitar o cancelamento nas redes sociais

17/06/2026 às 11h13
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Divulgação/TV Cultura
Reprodução: Divulgação/TV Cultura

O renomado artista Miguel Falabella, que recentemente deu vida ao personagem Kasper na novela Três Graças, trouxe à tona uma reflexão crítica sobre o atual momento da televisão aberta no Brasil e a escassez de atrações de comédia. Em entrevista, o roteirista e diretor expressou desapontamento com a falta de ousadia das produções atuais, justificando que os canais operam sob o receio constante de enfrentar o julgamento da web.

Durante sua participação no tradicional programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura, Falabella respondeu a uma indagação do colunista Leão Lobo sobre a perda de espontaneidade e conexão direta da TV com o público em comparação às décadas passadas. Sem rodeios, o veterano avaliou que os veículos de comunicação se tornaram excessivamente cautelosos para evitar o cancelamento nas redes sociais:

“Acho que a televisão hoje fica muito refém da internet, da questão opinativa da internet, do tribunal da internet. Tudo é um problema”, explicou ao Roda Viva.

Para ilustrar o cenário atual, o ator relembrou um de seus papéis mais icônicos na teledramaturgia nacional:

“Imagina hoje em dia o Caco Antibes falando ‘Tenho horror a pobre’? Ia ser uma confusão, mas as pessoas assistem até hoje e entendem que aquilo é uma crítica, um personagem alucinado. E o Brasil está cheio de Cacos Antibes. A TV fica com muito medo de desagradar e isso acaba afastando as pessoas”, ressaltou o ator.

Um Clássico Inviável nos Dias de Hoje

Dando sequência ao raciocínio, o artista enfatizou que o formato do sitcom Sai de Baixo, fenômeno de audiência na grade da TV Globo no final dos anos 90 e início dos anos 2000, seria sumariamente vetado pelas diretrizes atuais do entretenimento.

Ao analisar a dinâmica politicamente incorreta do antigo programa, ele pontuou o comportamento problemático dos protagonistas da atração:

“Caco Antibes era um terror. Era um homem que roubava, que mentia. Acho difícil. Mandar uma mulher calar a boca… Mérito da Marisa [Orth], que ela aquela mulher que tinha dois neurônios com um brilhantismo absoluto. Agora, era um terror. Uma relação altamente sexualizada entre os dois”.

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