
O magistrado André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu permissão para que a Polícia Federal (PF) examine o acervo de dados salvos na conta de armazenamento em nuvem de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão. Conhecido pelo codinome “Sicário”, ele é investigado como um dos principais articuladores financeiros do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Como condutor do inquérito que apura as fraudes na instituição, Mendonça revelou que o material virtual já se encontrava retido por ordem sua e que, nos últimos dias, validou formalmente a derrubada do sigilo eletrônico. Durante uma deliberação em plenário na Segunda Turma da Corte, o ministro sinalizou novos desdobramentos na apuração:
“Tem mais coisa por vir. Eu havia determinado que fosse preservado o iCloud do Sicário. Essa semana eu determinei a quebra desses dados. Vamos ver o que virá de lá. Vamos ver o que deixou a irmã do Sicário passando mal. Eu não sei”, explicou o ministro em sessão no Supremo.
A abertura do dispositivo tecnológico ocorre logo após os investigadores interceptarem comunicações de Joana Mourão, irmã do falecido operador. Nos diálogos, ela assegura reter arquivos e papéis com potencial destrutivo contra o clã Vorcaro. De acordo com os relatórios policiais, a família Mourão passou a registrar severas privações financeiras depois do encarceramento e posterior falecimento de Luiz Phillipi nas dependências da PF em Belo Horizonte (MG).
Diante do colapso econômico, Joana passou a pressionar agressivamente os assessores dos Vorcaro, protestando que seu irmão fora desamparado pelos indivíduos a quem prestou serviços de extrema confiança. Conforme revelado pelo portal Metrópoles, em uma das interceptações, Joana desabafa que se encontra à beira do “abismo” material e cogita expor Henrique Vorcaro, genitor do banqueiro. Em outra conversa correlata, ela é categórica ao garantir que possui “material para acabar com a família inteira”.
Como intermediador dessas cobranças, a PF identificou a figura de Manoel Mendes Rodrigues, apelidado de “Manolo”. Os agentes federais o apontam como o homem de confiança de Henrique Vorcaro em território fluminense e componente do núcleo denominado “A Turma”. Os relatórios de inteligência indicam que Manolo operou pessoalmente nos bastidores para neutralizar as ameaças de Joana e abafar os segredos que ela dizia resguardar.
Ao abordar os fatos que envolveram o falecimento do operador na prisão, o ministro André Mendonça confessou o seu ceticismo inicial diante do ocorrido, revelando que “custou acreditar” na tese de que o colaborador do banco Master teria tirado a própria vida no estabelecimento policial. O magistrado pontuou que realizou a checagem detalhada das gravações do circuito interno do local de custódia e definiu o registro visual como uma cena “dura”.