
O sargento, Estácio Leite da Silva Filho, preso recentemente durante uma blitz de trânsito realizada pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) por portar uma arma de calibre 9 mm de propriedade de Jair Bolsonaro (PL), integra a equipe de proteção do antigo chefe de Estado desde o início de 2023, acumulando dezenas de deslocamentos oficiais ao seu lado.
Com a patente de segundo-sargento do Exército, o agente exerce suas funções sob o guarda-chuva da Casa Civil da Presidência da República, órgão responsável pela estrutura de apoio aos ex-presidentes do país. Sua nomeação ocorreu no primeiro dia de janeiro de 2023, coincidindo com a saída de Bolsonaro do Poder Executivo.
A legislação nacional assegura aparato de proteção pessoal a todos os ex-governantes. O benefício permanece ativo mesmo em cenários de reclusão penal, prerrogativa restabelecida e assegurada por meio de uma determinação judicial oriunda do estado de Minas Gerais.
Balanço extraído das bases de dados governamentais aponta que Estácio esteve presente em no mínimo 86 agendas, entre roteiros nacionais e missões ao exterior. O último registro de trâmite oficial monitorado pela Casa Civil ocorreu no final de junho de 2025, antecedendo o período em que Bolsonaro passou a cumprir regime de reclusão residencial.
Durante o recolhimento do político no complexo penitenciário da Papudinha, o magistrado Alexandre de Moraes, membro do Supremo Tribunal Federal (STF), referendou a entrada do sargento e de demais assessores ao estabelecimento de detenção. O requerimento protocolado pelo corpo jurídico do político detalhava que os funcionários realizariam o fornecimento de "alimentação especial" destinada ao detento.
Posteriormente, o militar passou a integrar o monitoramento e a vigilância no entorno do domicílio do ex-presidente. A mobilização dele e de outros três profissionais de segurança foi chancelada por Moraes.
Nascido em Paranaguá, no litoral paranaense, Estácio desempenhou funções como distribuidor de periódicos e auxiliar de escritório ao longo de sua juventude. Sua trajetória nas Forças Armadas teve início no ano de 1992. No decorrer de sua carreira no Exército Brasileiro, fez parte dos contingentes destacados para operações humanitárias e de pacificação da Organização das Nações Unidas (ONU) no Timor-Leste, no fim da década de 1990, e no território haitiano.
Ao ser questionado pelos policiais militares sobre a posse da pistola pertencente a seu superior, o sargento argumentou que transportava o objeto com a finalidade de realizar "reparos".
O registro do flagrante foi formalmente reportado a Alexandre de Moraes, que acionou a defesa do ex-mandatário e os responsáveis pela vistoria e triagem na entrada do imóvel residencial para prestarem os devidos esclarecimentos.