
Cabe agora ao ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), bater o martelo sobre a transferência de custódia do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A deliberação ganhou força após a Procuradoria-Geral da República recusar, em definitivo, a nova oferta de delação premiada submetida pelos defensores do empresário.
Na condição de condutor das investigações do caso Banco Master na corte, Mendonça havia atrelado a permanência de Vorcaro nas acomodações especiais da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, ao andamento dos diálogos de cooperação jurídica. Com o fim das tratativas, a tendência latente é o deslocamento do detento para o sistema prisional convencional, tendo o Complexo Penitenciário da Papuda como destino mais provável.
Segundo a CNN Brasil, fontes que monitoram o cenário indicam que o remanejamento demandará um despacho específico, embora seja encarado como um desdobramento lógico do fracasso das tratativas. Paralelamente ao veto do acordo, o Ministério Público Federal também se posicionou de forma contrária à concessão de prisão domiciliar para o empresário, detido desde o início de março pela Operação Compliance Zero, que esquadrinha ilícitos no ecossistema financeiro do Master.
O parecer da PGR alinhou-se ao diagnóstico prévio da Polícia Federal, que já havia descartado o novo lote de revelações sugerido por Vorcaro dias antes. Na visão dos agentes e promotores dedicados ao caso, o portfólio de dados apresentado pelo ex-banqueiro carecia de substância e provas robustas para fazer jus aos privilégios penais de uma colaboração premiada.
Na tentativa de retomar as negociações, o corpo jurídico do executivo entregou uma versão atualizada do documento no começo de junho. O novo texto tentava expandir o alcance das denúncias, detalhando as conexões do ex-banqueiro com figuras expressivas do Legislativo, Executivo e Judiciário. Entre os episódios narrados, constavam o suporte financeiro à produção cinematográfica "Dark Horse", supostamente intermediado por solicitação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de supostas transferências financeiras direcionadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Vale lembrar que a tentativa inicial de delação já havia sido rechaçada pela PF em maio. Naquela oportunidade, o entendimento foi de que as declarações eram vagas e ocultavam dados cruciais que a própria inteligência policial já havia mapeado de forma autônoma. De acordo com a PGR, a investida recente falhou em sanar essas lacunas estruturais.
Por outro lado, os defensores de Vorcaro refutam a análise dos órgãos de persecução penal. O grupo de advogados sustenta que a peça foi profundamente remodelada, passando a carregar acontecimentos inéditos e elementos probatórios inéditos.