Áudios, mensagens e comprovantes: o que foi encontrado nos celulares que levou Deolane e Marcola ao banco dos réus

Justiça aponta conversas no Telegram, comprovantes bancários e áudios como principais provas em ação por organização criminosa e lavagem de dinheiro

19/06/2026 às 08h02
Por: Rahabe Gabriela
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Áudios, mensagens e comprovantes: o que foi encontrado nos celulares que levou Deolane e Marcola ao banco dos réus / Reprodução Redes Sociais
Áudios, mensagens e comprovantes: o que foi encontrado nos celulares que levou Deolane e Marcola ao banco dos réus / Reprodução Redes Sociais

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra passou a responder formalmente na Justiça ao lado de Marco Willians Herbas Camacho, apontado como uma das principais lideranças do PCC, após o avanço de uma investigação que reúne mensagens, áudios e movimentações financeiras consideradas relevantes pelo Ministério Público de São Paulo.

Segundo decisão da 3ª Vara de Presidente Venceslau, os elementos extraídos de dois celulares apreendidos pela polícia foram considerados a principal base da denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Além de Deolane e Marcola, também se tornaram réus Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa.

Na decisão, o juiz Deyvison Heberth dos Reis classificou o material obtido nos aparelhos como a “prova nuclear” da acusação. Os conteúdos analisados foram complementados por relatórios financeiros, quebras de sigilo bancário e fiscal, além de informações produzidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

De acordo com os autos, as mensagens encontradas permitiriam reconstruir parte da movimentação financeira investigada pelo Ministério Público. A acusação sustenta que os diálogos identificam responsáveis por transferências de valores, contas utilizadas nas operações e possíveis destinatários dos recursos.

Um dos aparelhos analisados foi um Samsung Galaxy J5 apreendido na residência de Ciro Cesar Lemos. Conforme a investigação, o celular armazenava conversas realizadas pelo Telegram entre agosto de 2020 e abril de 2021.

Entre os conteúdos transcritos, um áudio atribuído a Ciro chama a atenção. Na gravação, ele afirma ter trabalhado durante quatro anos para Alejandro Herbas Camacho Junior, conhecido como “Gordão”, e para Marcola, chamado de “Narigudo” em algumas mensagens. Alejandro é irmão do líder da facção criminosa.

A denúncia também menciona áudios enviados a uma diarista. Segundo os investigadores, as mensagens indicariam que Deolane Bezerra mantinha valores atribuídos ao PCC em imóveis ligados a ela e a seus filhos.

Apesar da referência aos áudios, a documentação judicial não detalha em qual aparelho as gravações foram encontradas nem apresenta o conteúdo integral das mensagens. Ainda assim, a decisão destaca que a materialidade dos crimes investigados está apoiada em dados extraídos dos celulares e em informações telemáticas obtidas ao longo da apuração.

Outro ponto destacado pela Justiça envolve mensagens que descreveriam mecanismos de repasses financeiros e identificariam um operador apontado como responsável por um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção. O mesmo aparelho armazenava comprovantes de depósitos associados às movimentações sob investigação.

Já em um segundo dispositivo, um iPhone X apreendido no mesmo endereço, os investigadores localizaram conversas envolvendo Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro, sobrinha de Marcola e também denunciada no processo.

Segundo a decisão, os diálogos continham envio de dados bancários para recebimento de recursos e compartilhamento de comprovantes utilizados para rastrear operações financeiras.

Para o Ministério Público, o conjunto de provas reforça a suspeita de que familiares e pessoas próximas aos líderes da organização criminosa recebiam orientações para distribuir valores provenientes de uma empresa de transportes apontada como instrumento de lavagem de dinheiro.

Os promotores sustentam ainda que os recursos eram posteriormente direcionados a integrantes do grupo investigado. A apuração também identificou um suposto plano de reestruturação empresarial que teria como objetivo transferir patrimônio para os Emirados Árabes Unidos, país citado na investigação por sua utilização recorrente de empresas de fachada em operações internacionais de ocultação de ativos.

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