
A residência localizada em São Conrado, na Zona Sul carioca, que já pertenceu ao icônico Erasmo Carlos, teve sua porta destrancada por um profissional chaveiro durante o cumprimento de uma determinação da Justiça. A ação faz parte do imbróglio jurídico travado entre os herdeiros do cantor e a viúva dele, Fernanda Esteves, em torno da gestão e do espólio deixado pelo artista.
A diligência ocorreu em outubro de 2024, estendendo-se por cerca de três horas com a presença de oficiais de justiça encarregados de recolher pertences integrantes da herança. Segundo dados divulgados pela coluna Gente, da revista Veja, o mandado judicial autorizava tanto o uso de chaveiro quanto a entrada coercitiva com reforço policial, se exigido. Apesar da varredura, uma série de itens valiosos e de valor sentimental não foi achada no local.
Entre os artefatos ausentes no inventário figuram duas estatuetas do Grammy Latino faturadas pelo músico: o troféu de “Melhor Álbum de Rock Brasileiro”, abocanhado em 2014, e o “Prêmio à Excelência Musical”, de 2018. Igualmente sumida está uma guitarra dos anos 1960 autografada por expoentes da MPB, além de cadernos manuscritos contendo composições e memórias do autor. A lista de desaparecidos inclui, ainda, uma máquina de costura histórica que pertenceu à mãe do cantor, artefato revestido de enorme apreço afetivo para ele.
A inspeção foi requisitada por Leonardo Esteves e Gil Esteves no âmbito do processo de inventário. Fernanda havia assumido o encargo de inventariante no início, mas depois abriu mão da função, sendo substituída por Leonardo. Embora a determinação exigisse o repasse dos bens achados ao herdeiro, os objetos que sumiram continuam de fora do patrimônio avaliado.
O conflito familiar também transborda para o âmbito penal. Após o falecimento do artista em 2022, os filhos acionaram a Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro para investigar transações bancárias realizadas na conta do pai. Uma das transferências sob suspeita soma R$ 345 mil: conforme a notícia-crime, R$ 300 mil teriam sido repassados para uma conta ligada à viúva justamente em 22 de novembro de 2022, data em que o cantor faleceu aos 81 anos, período em que ele permanecia hospitalizado.
Outro montante questionado atinge R$ 45 mil, movimentado semanas depois para supostamente quitar honorários advocatícios contratados por Fernanda. Os irmãos exigiram a abertura de inquérito policial, o depoimento da viúva e a apuração sobre a eventual restituição das cifras ao espólio. Na petição, os representantes legais dos herdeiros sustentam que os fatos podem configurar, em tese, apropriação indébita no exercício da inventariança e furto mediante abuso de confiança.