
O imbróglio jurídico em torno do espólio de Erasmo Carlos (1941-2022), travado entre os herdeiros do artista e sua viúva, Fernanda Esteves, ganhou novos capítulos. A promotoria optou por arquivar a representação criminal protocolada por Leonardo e Gil Esteves, que questionavam transações financeiras executadas na conta bancária do músico após o seu falecimento, conforme revelado pela coluna Gente, da revista Veja, na última quinta-feira (27).
O litígio teve início quando os filhos do compositor acionaram a Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro para escrutinar repasses que totalizam R$ 345 mil. Segundo os autos, o valor mais expressivo, de R$ 300 mil, teria sido transferido para uma conta atrelada a Fernanda exatos 22 de novembro de 2022, data em que o ícone da Jovem Guarda faleceu aos 81 anos. Os irmãos argumentaram que a transação ocorreu enquanto o pai permanecia hospitalizado e que tais proventos deveriam compor o patrimônio partilhável do inventário.
Apesar da alegação de que qualquer movimentação post-mortem deveria seguir estritamente as normativas sucessórias, o Ministério Público concluiu que os elementos trazidos pelos denunciantes careciam de gravidade e materialidade para justificar o prosseguimento de uma apuração criminal contra a viúva.
Ademais, no despacho, o órgão ministerial apontou que a investida judicial por parte dos herdeiros trazia consigo um viés de cunho misógino no tratamento dispensado a Fernanda.