Reajuste do Bolsa Família vai criar conta de R$90 bilhões para o próximo governo

A nova despesa não constava na proposta orçamentária enviada ao Congresso no fim de agosto, gerando alertas sobre o equilíbrio das contas públicas em meio à expectativa de déficit primário

18/09/2026 às 11h25
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Gazeta do Povo
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Reprodução: Ricardo Stuckert
Reprodução: Ricardo Stuckert

O governo federal, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), oficializou na quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando a parcela base de R$ 600 para R$ 691. A mudança acrescenta R$ 5,8 bilhões aos gastos públicos ainda em 2026 e projeta uma fatura de cerca de R$ 90 bilhões para o próximo quadriênio presidencial. O anúncio ocorre a apenas 17 dias do primeiro turno, cenário que coincide com a disputa acirrada nas urnas entre o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL). As informações são da Gazeta do Povo.

A nova despesa não constava na proposta orçamentária enviada ao Congresso no fim de agosto, gerando alertas sobre o equilíbrio das contas públicas em meio à expectativa de déficit primário. Apesar disso, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, garantiu viabilidade financeira para a medida: “Ficará claro no relatório de setembro: tem espaço fiscal”, declarou, acrescentando: “Dia 24 vamos passar os números, mas temos segurança que o espaço fiscal é superior do que é preciso pra custear essa medida”. Os pagamentos atualizados chegam aos beneficiários em 19 de outubro, intercalando os dois turnos do pleito.

A iniciativa gerou comparações com 2022, quando a gestão de Jair Bolsonaro elevou o então Auxílio Brasil para R$ 600 perto das eleições, movimento severamente criticado na época por aliados de Lula. Na ocasião, nomes como a então dirigente petista Gleisi Hoffmann classificaram a ação governamental como oportunista: “Bolsonaro acha que aumentado Auxílio Brasil, vale-gás e dando auxílio aos caminhoneiros às vésperas das eleições vai salvar sua pele. Engana-se! O povo sabe quem se preocupa com ele e quem é oportunista e cara de pau. Se fosse preocupado com o povo, tinha tomado medidas antes. Não fez”. Em paralelo, o ex-ministro Fernando Haddad também questionou a sustentabilidade fiscal daquela manobra passada ao discutir o rombo nas contas do exercício seguinte.

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