
A deputada federal Erika Hilton (SP) admitiu publicamente a possibilidade de se desfiliar do PSOL para ingressar nas fileiras do PT. Em declarações concedidas à Folha de S.Paulo na segunda-feira (12), a parlamentar confirmou o início das tratativas com lideranças petistas, ressaltando que a transição partidária só deve ser concretizada em 2027 e que ainda não formalizou a discussão com a atual legenda.
Ao avaliar a trajetória recente do partido, Erika relembrou a tentativa frustrada de integrar o PSOL à federação Brasil da Esperança (composta por PT, PCdoB e PV). O grupo acabou mantendo o alinhamento em federação apenas com a Rede Sustentabilidade. A deputada frisou ter sido entusiasta do arranjo com os petistas, mas assegurou ter acatado a deliberação interna sem criar fraturas na sigla.
“Agora o cenário é ainda mais delicado. O partido não atinge a cláusula de barreira e precisa se fortalecer para continuar a fazer o trabalho brilhante que sempre fez enquanto partido. Para isso, a gente precisa sentar e conversar”, ponderou a congressista.
Mesmo consagrando-se como a segunda representante mais votada para a Câmara dos Deputados no estado de São Paulo, com mais de 1,5 milhão de sufrágios, ficando atrás somente de Lucas Pavanato (PL), a expressiva votação individual de Erika não impediu que o PSOL ficasse abaixo das exigências legais para o acesso aos recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda.
Para superar a cláusula de barreira, a legislação exige a obtenção de no mínimo 2,5% dos votos válidos para a Câmara Federal em todo o país, com alcance mínimo de 1,5% em nove estados. A federação PSOL-Rede ficou a uma margem estreita de alcançar a meta, necessitando de apenas 186 votos adicionais no Espírito Santo (onde contabilizou 31.839 dos 32.025 necessários).
A alternativa de eleger ao menos 13 deputados federais distribuídos por nove unidades federativas tampouco foi atendida: embora tenha garantido 15 assentos no Congresso, a bancada ficou concentrada em somente seis estados.
Hilton apontou diretamente as falhas no planejamento eleitoral e na distribuição do Fundo Partidário como determinantes para o revés da legenda, destacando o descompasso na alocação de verbas entre nomes competitivos e candidaturas com pouca viabilidade.
“O baixo financiamento dessas candidaturas, de quadros importantes do nosso partido que poderiam nos ajudar e nos fortalecer enquanto campo político, enquanto partido político”, sustentou a deputada.
Como ilustração do repasse insuficiente, a parlamentar citou o caso da deputada estadual eleita Sofia Favero, que teria recebido “um valor superbaixo”. Aliada de Erika na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Favero foi responsável por acionar o Ministério Público paulista contra a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) devido a postagens de teor transfóbico comparando o desempenho eleitoral de ambas ao de Erika.
“Eu acho que o PSOL erra na estratégia que ele usa, inclusive deixando de cobrir estados e lideranças importantes que nos ajudariam a superar a cláusula de barreira. O PSOL passou, inclusive, a financiar candidaturas com recursos muito altos, com baixo potencial eleitoral, quando deixou de cobrir outras candidaturas que tinham potencial eleitoral”, concluiu a parlamentar.