Presídios e escolas cívico-militares: as promessas de Tarcísio para o segundo mandato

O novo mandato terá início formal em 6 de janeiro de 2027

14/10/2026 às 15h44
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Gazeta do Povo
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Reprodução: Reuters/IMAGO/Marina Uezima
Reprodução: Reuters/IMAGO/Marina Uezima

Consagrado vencedor no primeiro turno do último domingo (4) com uma votação de 62,65% dos votos válidos, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) estabeleceu dois compromissos centrais para a sua segunda gestão no estado de São Paulo: a implantação de dez novas unidades penitenciárias e a ampliação do programa de colégios cívico-militares no ensino estadual. O novo mandato terá início formal em 6 de janeiro de 2027.

Em sabatina concedida à Gazeta do Povo, a responsável por articular as diretrizes da campanha, Natália Resende, ressaltou que a escolha dos locais para as unidades prisionais está sendo dialogada com as gestões municipais, ao passo que a expansão do modelo cívico-militar contará com a participação direta de prefeituras, famílias e da comunidade escolar.

Titular desde 2023 da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), pasta estratégica que engloba saneamento, matriz energética, transportes e recursos hídricos, a executiva é reconhecida como uma das principais mentes técnicas por trás da privatização da Sabesp.

O programa de diretrizes formatado por Resende desdobra-se em dez eixos estratégicos, denominados "trilhas", reunidos sob o conceito geral de "trilha da prosperidade". Ao ser questionada sobre a prioridade máxima dos próximos quatro anos, a secretária evitou restringir o foco a uma única pasta, elencando segurança, saúde, educação e políticas para mulheres como pilares fundamentais. “A palavra-chave é pessoas no centro, desde a primeira infância até o envelhecimento ativo”, explicou.

Módulo de Aguaí Servirá de Referência para Novas Penitenciárias

A meta de erguer mais dez presídios foi detalhada pelo próprio chefe do Executivo paulista em entrevista ao programa SP1, da TV Globo, ao longo da campanha em setembro. Conforme apontado por Resende, os novos complexos seguirão a estrutura técnica da penitenciária inaugurada no município de Aguaí, no interior paulista, enquanto outros centros já finalizados começam a operar gradualmente.

“A gente está vendo exatamente as localizações, a gente está vendo isso junto com os municípios também”, esclareceu a secretária. A gestora enfatizou que o avanço tecnológico focado no monitoramento e na conexão direta com o aparato policial será o pilar para assegurar “uma inteligência integrada com os profissionais que trabalham dentro dos presídios”.

A planta de Aguaí e as demais em fase final de entrega foram viabilizadas por contratações via lei de licitações. Para as dez futuras unidades, o governo estadual analisa a modelagem jurídica mais eficiente. O plano contempla ainda que, em episódios de emergência ou desastres naturais, os detentos prestem auxílio às cidades que abrigam os presídios.

No âmbito da segurança pública, temática que encabeça as propostas do governo, a principal inovação será a criação de um Centro de Inovação e Inteligência, responsável por unificar as ações das polícias Civil e Militar, guardas municipais, Defesa Civil e o sistema prisional. O projeto visa também expandir o ecossistema de videomonitoramento para os 645 municípios paulistas, buscando atingir a marca de 160 mil dispositivos e sensores conectados até o encerramento de 2027.

Avanço das Escolas Cívico-Militares, Tempo Integral e Alfabetização

A rede estadual deu início ao programa cívico-militar no presente ano letivo, abrangendo 100 estabelecimentos de ensino. O crescimento da iniciativa será facultativo a cada comunidade, ficando o volume de novas adesões condicionado a acertos com prefeituras e pais de alunos. Na mecânica adotada, o corpo docente permanece à frente das atividades pedagógicas, enquanto agentes militares assumem a gestão cívica e a disciplina.

Em relação à jornada estendida, a meta estipulada é elevar o quantitativo de 2.470 colégios de tempo integral para 3 mil, viabilizando mais de 35 mil vagas inéditas nas denominadas Escolas do Futuro. A meta abrange ainda garantir que 90% dos estudantes estejam alfabetizados na idade adequada até o encerramento do mandato, além de expandir a cobertura do ensino técnico-profissionalizante de 45% para 60%. A secretária apontou também o pacto pela matemática como uma das alavancas prioritárias para elevar o desempenho escolar da rede pública.

Privatizações e Saneamento Garantem Sustentação ao Plano

A atração de capital privado continua sendo o eixo condutor das obras estruturantes do estado. De acordo com Resende, o plano unifica infraestrutura social, ambiental, transporte sobre trilhos e logística em uma malha integrada, priorizando a expansão do metrô, VLTs e trens intercidades.

A frente prioritária de ação permanece centrada no saneamento básico. Desestatizada em julho de 2024 em uma operação que movimentou R$ 14,8 bilhões, a Sabesp tem como meta injetar aproximadamente R$ 70 bilhões até 2029 para garantir a universalização dos serviços de água e esgoto, além de metas para a despoluição do Rio Tietê. Durante debate promovido pela Band em agosto, Tarcísio defendeu o uso de parcerias com o setor privado inclusive para a edificação de novas escolas, alegando que o formato traz a tração necessária para ampliar aportes financeiros e otimizar os serviços entregues à população.

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