Mãe de Oruam é presa em operação da PF que mira esquema milionário de “internet do tráfico”

A captura sucedeu ao longo de uma ofensiva desencadeada no estado do Rio de Janeiro, que inclui outros parentes do músico na lista de investigados

19/10/2026 às 12h10
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Bacci Notícias
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Reprodução: Redes Sociais
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Agentes da Polícia Federal efetuaram a prisão, no início desta segunda-feira (19), de Márcia Gama, mãe do cantor Oruam e companheira de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, destacado expoente na cúpula do Comando Vermelho (CV). A captura sucedeu ao longo de uma ofensiva desencadeada no estado do Rio de Janeiro, que inclui outros parentes do músico na lista de investigados. A apuração visa desarticular uma engrenagem atribuída ao grupo criminoso, acusado de monopolizar a distribuição de sinal de rede em favelas fluminenses mediante coerção e emprego de armamento. Dentre os territórios sob auditoria figuram os complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão.

Segundo informações do portal Bacci Notícias, no somatório das ordens, a corporação cumpre 23 mandados de prisão cautelar e 24 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os alvos das diligências distribuem-se por diversas localidades do estado, englobando a sede capital, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

Os despachos judiciais ordenaram ademais o congelamento de ativos que chegam a R$ 558 milhões, englobando bens patrimoniais e saldos bancários de 40 indivíduos e 42 pessoas jurídicas citadas no inquérito. O julgado decretou paralelamente a paralisação das atividades operacionais das companhias sob suspeita de favorecer o esquema.

A varredura atinge empresas fornecedoras de conexão, produtoras do ramo de entretenimento, firmas contábeis e empreendimentos fictícios que, de acordo com o levantamento policial, serviam para viabilizar as condutas ilícitas. A Polícia Federal salientou ainda que acionará a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no intuito de analisar a cassação das outorgas de funcionamento e o bloqueio das transmissões de dados operadas pelas empresas citadas.

FACÇÃO USAVA VIOLÊNCIA PARA IMPOR A CHAMADA “INTERNET DO TRÁFICO”

De acordo com os relatórios da corporação, a quadrilha utilizava expedientes violentos e intimidação sistemática para dominar o mercado de conectividade nas comunidades do Rio.

Entre os métodos relatados estão a sabotagem do cabeamento e o vandalismo contra equipamentos de provedores concorrentes, somados ao bloqueio de acesso às equipes técnicas de reparo. Em decorrência dessas ações, moradores e donos de estabelecimentos viam-se forçados a aderir às assinaturas administradas pela facção, denominadas como “internet do tráfico”.

As investigações detalham também que os serviços autorizados a trafegar nas áreas sob domínio do Comando Vermelho deviam pagar propinas periódicas à facção para darem continuidade às operações. Balancetes atribuídos ao grupo revelam que, em um único mês, a exploração desse nicho respondeu por mais de 40% da arrecadação total da organização no Complexo da Penha.

CONTROLE DA INTERNET SE TORNA FONTE MILIONÁRIA

A PF salienta que o controle arbitrário do mercado de conectividade transformou-se em um pilar financeiro decisivo para o Comando Vermelho. Conforme o apurado, conflitos territoriais por novas comunidades mantinham ligação direta com a expansão da cartela de clientes submetidos à contratação compulsória dos serviços dominados pela facção.

Segundo os peritos, os recursos auferidos com o esquema irrigavam as contas de parentes de Marcinho VP por intermédio de empresas arrecadadoras, intermediadores do mercado financeiro e contas correntes de passagem.

EMPRESAS E IMÓVEIS DE LUXO TERIAM SIDO USADOS PARA OCULTAR RECURSOS

Para dissimular a procedência dos capitais, a quadrilha utilizava negócios nas áreas de eventos e publicidade, a compra de imóveis de alto padrão quitados em espécie e transações no mercado de criptoativos.

As forças policiais investigam também a conduta dos suspeitos em crimes ligados ao domínio territorial e social sobre populações, prática ancorada em ameaças, violência e intimidação. A checagem tenta mapear como essas abordagens serviam para obstar a presença do Estado e interferir na prestação de serviços essenciais.

Entre as infrações imputadas figuram extorsão qualificada, atentado contra a segurança de serviços de utilidade pública, interrupção de conexões telemáticas, exploração clandestina de telecomunicações e lavagem de capitais, sem prejuízo de novas acusações no decorrer do processo.

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