
O mandatário da Casa Branca, Donald Trump, festejou nessa última terça-feira (20) a ascensão da direita em território sul-americano, sustentando que todos os concorrentes apadrinhados por ele obteve triunfo nos pleitos de suas respectivas nações. As informações são da Gazeta do Povo.
Em diálogo com a imprensa em Washington, o líder republicano sublinhou o reposicionamento ideológico vivenciado recentemente no continente, ressaltando o sucesso de seu correligionário no cenário colombiano, embora não tenha feito menção explícita ao panorama eleitoral brasileiro, que definirá o segundo turno presidencial no próximo domingo (25), opondo o congressista Flávio Bolsonaro (PL), representante do campo conservador, e o atual chefe do Executivo, Lula (PT), do espectro progressista.
“Se você observar o que está acontecendo na América do Sul, as pessoas não acreditariam. Tudo pendia muito para a esquerda. Agora está tudo à direita”, afirmou Trump.
O governante estadunidense salientou que a ascensão de administrações alinhadas ao conservadorismo vem reformulando o continente.
“A América do Sul está se tornando um lugar completamente diferente e está prosperando. E, como vocês sabem, apoiei muitas dessas pessoas (que foram eleitas nas disputas locais)”, disse.
Trump deu destaque especial à Colômbia, onde o jurista de viés direitista Abelardo de la Espriella triunfou na disputa de junho após obter seu aval público. O advogado superou o postulante progressista Iván Cepeda, alinhado ao ex-mandatário Gustavo Petro, e tomou posse no cargo em agosto.
“Todos aqueles que apoiei venceram, incluindo o novo presidente da Colômbia, que é fantástico, 'El Tigre' (apelido de de la Espriella)”, ressaltou o presidente americano.
O movimento de transição política indicado por Trump estende-se a outros pontos da América do Sul. No território chileno, o direitista José Antonio Kast assumiu o Executivo em março deste ano após superar a ala de esquerda. Em solo boliviano, Rodrigo Paz, de alinhamento centro-direitista, passou a governar em novembro de 2025, pondo fim a quase vinte anos de hegemonia do Movimento ao Socialismo (MAS). Na Argentina, Javier Milei exerce o poder desde dezembro de 2023, mantendo estreita sinergia com Washington.
As manifestações ocorreram em resposta a indagações sobre uma eventual chancela à figura de Marine Le Pen, expoente da direita nacionalista do Reagrupamento Nacional (RN), visando o pleito presidencial francês de 2027. O presidente relatou nunca ter tido contato direto com a líder francesa, porém reprovou as deliberações judiciais contrárias a ela.
“Não a conheço, nunca a encontrei pessoalmente. Mas tive a impressão de que ela foi tratada muito mal”, alegou Trump.
Sem formalizar endosso à política europeia, o estadunidense redirecionou suas observações para o desempenho dos quadros direitistas no continente sul-americano, que, segundo sua análise, vem se transformando em uma região “extremamente conservadora de uma maneira muito positiva”.
Apesar do silêncio sobre a disputa brasileira na terça-feira (20), o mandatário já havia vibrado com a performance do senador do PL. Um dia após o primeiro turno, em interação com a mídia local, o governante definiu o desempenho de Flávio como uma “grande vitória”.
“Foi uma grande vitória. Apertada, mas uma vitória muito, muito grande. Impressionante”, analisou Trump na ocasião.
Apesar dos elogios, o chefe de Estado norte-americano ainda não manifestou um apoio oficial ao parlamentar brasileiro na fase decisiva. Na votação de 4 de outubro, Flávio alcançou 47,03% dos sufrágios válidos, contra 45,16% obtidos por Lula.