“Fui muito humilhada”, Malévola surge aos prantos após ser presa no Egito

Pouco depois de disponibilizar a gravação, a jovem denunciou ter sido vítima de discriminação motivada por identidade de gênero

22/10/2026 às 12h04
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Revista Quem
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Reprodução: Redes Sociais
Reprodução: Redes Sociais

Abalada e aos prantos, a criadora de conteúdo Malévola Alves surgiu em uma transmissão em suas plataformas digitais nesta quinta-feira (22). A jovem e sua companheira de viagem, Bruna Mercatelli, ambas mulheres trans, estão em rota de volta ao território nacional após passarem 48 horas sob custódia policial no Egito, acusadas de "comportamento obsceno". O desabafo foi gravado durante uma conexão aérea no Marrocos.

"Fui muito humilhada, muito humilhada. Eu não paro de chorar desde que eu cheguei aqui no Marrocos. Vou gravar um vídeo contando tudo", declarou Malévola, que necessitou utilizar um dispositivo de terceiros para o registro, dado que seu smartphone pessoal segue confiscado. Contatado pela reportagem da Quem, o representante jurídico da famosa, Jonatha Carvalho Matos, atestou a veracidade da gravação e reiterou que o aparelho de sua patrocinada não foi devolvido pelas autoridades locais.

Pouco depois de disponibilizar a gravação, a jovem denunciou ter sido vítima de discriminação motivada por identidade de gênero. "Eles deixaram claro que a prisão foi porque éramos trans!!! Vocês não estavam lá, não acreditem no que vocês veem na internet", publicou na rede social X (antigo Twitter). Na sequência, detalhou os episódios traumáticos pelos quais passou: "Eu tive que ficar pelada e, quando viram a minha vagina, começaram a me tratar bem. Eu disse que não era trans. Só Deus sabe o que eu passei. Eu tô com crise de pânico, tenho ansiedade e depressão. Chegando ao Brasil, vou direto ao médico. Estou tendo crise a todo momento…", desabafou.

A brasileira também rebateu a onda de repreensões virtuais que vem sofrendo por conta de sua conduta no exterior. "Tudo vai ficar bem. Eu fui abusada com minha amiga por diversos policiais. Vocês não sabem o que passamos naquela delegacia e agora estão rindo… Vocês são podres", protestou.

O desembarque de Malévola em solo brasileiro está previsto para esta mesma noite, por volta das 22h, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Entenda o Caso

Na terça-feira (20), Malévola e a parceira foram detidas na cidade egípcia de Alexandria devido ao compartilhamento de filmagens realizadas em vias públicas da região. O Ministério do Interior do Egito ratificou a medida cautelar, justificando que as cenas continham movimentações corporais e danças interpretadas pelas autoridades locais como de conotação erótica.

Antes da validação governamental da prisão, a criadora de conteúdo havia recorrido às redes sociais para expor a abordagem ostensiva e rogar pelo auxílio de sua base de fãs. Em conversa prévia com a Quem, a defesa da jovem desmentiu os boatos de que o valor fixado para a fiança teria atingido o patamar de R$ 10 mil. A quantia efetivamente quitada girou em torno de 40 mil libras egípcias, o equivalente a cerca de R$ 3,6 mil no câmbio atual.

O jurista confirmou a atuação conjunta com a representação diplomática brasileira sediada no Cairo, destacando que o órgão foi essencial nos repasses iniciais sobre o ocorrido, mas ressaltou a agilidade de seu próprio escritório, que dispõe de correspondentes locais no país africano.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) também se posicionou por meio de nota oficial: "O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio da Embaixada do Brasil no Cairo, acompanha o caso desde a noite do dia 20/10, quando foi acionado por meio do plantão consular no Egito. A Embaixada tem prestado assistência consular às nacionais e a seus familiares no Brasil, disponibilizando serviço de orientação jurídica e auxiliando na interlocução com as autoridades locais", dizia o comunicado.

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