
Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao empresário Flávio Carneiro voltaram a chamar atenção nas redes sociais após a divulgação de uma conversa sobre a escolha de artistas para uma campanha publicitária. Na troca de mensagens, Taís Araújo e Lázaro Ramos aparecem como sugestões de nomes para uma ação de marketing, mas a proposta teria sido rejeitada por Vorcaro, que demonstrou preferência por Virginia Fonseca e Zé Felipe.
A captura de tela foi divulgada pelo jornalista Sérgio Santos, conhecido como Zamenza, no X, antigo Twitter. No diálogo reproduzido, Carneiro sugere os atores e destaca a popularidade dos dois, além de mencionar a possibilidade de a presença de artistas negros ser positiva para a imagem da marca.
“Lázaro Ramos e a Thaís Araújo podem fazer banco! Gosto que são fortes pra caramba na massa da população e são negros ainda por cima que pode ser positivo pra marca”, diz a mensagem atribuída a Carneiro. Ele também teria informado que tentaria enviar um levantamento dos custos envolvendo os artistas e outras possíveis opções para a campanha.
A resposta atribuída a Vorcaro foi direta. “Acho chatos pra kct. Ambos. Tem que ser Zé e Virginia”, teria escrito o banqueiro, indicando preferência pelo casal formado por Zé Felipe e Virginia Fonseca. A conversa sugere que a escolha dos nomes para a publicidade passava por avaliações pessoais e comerciais dos envolvidos.
Flávio Carneiro sugere Taís Araújo e Lázaro Ramos para estrelarem uma publicidade de um banco ligado a Vorcaro, mas o banqueiro recusa e prefere a tigrinha: "São negros ainda por cima, o que pode ser positivo pra marca" "Acho chatos pra kct. Ambos. Tem que ser Zé e Virginia." https://t.co/XYH3rfp7mL
— Sérgio Santos (@ZAMENZA) October 22, 2026
O episódio ganha contexto diante das reportagens sobre as mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Em publicação de outubro, a Folha de S.Paulo informou que Carneiro atuava como assessor de imagem do ex-banqueiro e mantinha interlocução com ele em assuntos ligados à comunicação e à estratégia de publicações. A reportagem também descreveu a participação de empresas relacionadas a Carneiro em negócios envolvendo veículos de comunicação.
A conversa divulgada nas redes, contudo, não permite concluir, isoladamente, quais foram os critérios definitivos para a escolha dos artistas nem se a campanha chegou a ser executada nos termos discutidos. O registro também não comprova que a recusa aos atores tenha ocorrido por causa de sua raça: na mensagem atribuída a Vorcaro, a justificativa apresentada foi uma avaliação pessoal sobre os dois. O episódio reacende o debate sobre a influência de preferências privadas nas decisões de publicidade e sobre a maneira como a diversidade racial é considerada em estratégias de imagem de marcas.