
Após a localização de aproximadamente R$ 1,8 milhão em espécie escondidos no interior de um puff, a delegada Maria Corsato veio a público justificar que as cédulas pertencem a uma herança familiar que ainda não passou por partilha nem por regularização fiscal. O montante, que inclui mais de 120 mil dólares e 12 mil euros além de papéis com anotações, foi encontrado na residência de uma tia no ano de 2023.
A denúncia partiu da própria irmã da policial, que acionou a força policial após localizar o montante. De acordo com a defesa da delegada, ambas articulavam caminhos formais para fiscalizar a quantia, mas “não houve tempo” devido a uma reação abrupta da familiar.
Em suas redes sociais, a delegada explicou que a exposição derivou de um atrito doméstico recente:
“O episódio ocorreu alguns dias após ela ter ido ao local de trabalho do meu cunhado e provocado um escândalo. Como fiquei ao lado dele, ela se desentendeu comigo”, revelou ela.
Corsato relembrou outro caso em 2008, quando a familiar notificou a Corregedoria por suposto abandono após um atraso profissional da delegada:
“Infelizmente, não é a primeira vez que ela age dessa maneira comigo quando está emocionalmente abalada ou é contrariada”, explica.
A policial alegou que a irmã sofre com dependência alcoólica e instabilidade afetiva, finalizando:
“Quanto aos fatos recentes, meus advogados já estão adotando as providências necessárias para prestar todos os esclarecimentos à Corregedoria, inclusive sobre a origem dos valores”.
O jurista Gerson Mendonça reforçou ao portal Metrópoles que a parente sabia da existência da quantia e agiu “justamente para prejudicar a delegada”. O defensor frisou a ausência de ordem judicial de busca contra a policial e lembrou que a simples posse de papel-moeda não constitui infração penal.
O dinheiro em espécie retido pelas autoridades não consta nos registros oficiais entregues por Maria Corsato à Justiça Eleitoral. O inventário público da delegada detalha ativos imobiliários, como um apartamento no litoral paulista e quatro propriedades em Santo André, além de fundos bancários que somam meio milhão de reais, sem qualquer menção às divisas guardadas em notas físicas.