
O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) apresentou à CPMI do INSS um requerimento para convocar a médica Thaisa Hoffmann Jonasson, esposa do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Filho, investigado na Operação Sem Desconto. O parlamentar também solicitou a quebra dos sigilos bancários de Thaisa e da empresa dela, a THJ Consultoria, além do próprio Virgílio.
Segundo documentos, Thaisa comprou à vista um Porsche Cayenne híbrido de R$ 789 mil por meio da empresa. Além disso, ela reservou um apartamento de R$ 28 milhões no edifício Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC), que promete ser o maior prédio residencial do mundo, com entrega prevista para 2033.
Kataguiri afirmou no requerimento que a CPMI recebeu “documentos sigilosos que evidenciam o enriquecimento acelerado e incompatível de pessoas ligadas ao núcleo jurídico e administrativo” do INSS.
As evidências sugerem que a empresa THJ Consultoria Ltda. foi utilizada como veículo de blindagem patrimonial e dissimulação de ativos. O padrão das operações - pagamentos à vista de bens de alto valor, ausência de lastro contratual e conexão com entidades já identificadas no fluxo de recursos desviados - configura, em tese, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Kataguiri argumenta que a presença de Thaisa na comissão é essencial “para a elucidação do braço financeiro e patrimonial do esquema”. Segundo a CGU, o ex-procurador teve um acréscimo patrimonial de cerca de R$ 18 milhões durante o período investigado e recebeu R$ 11,9 milhões de empresas envolvidas no esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados.
Virgílio Filho, servidor de carreira da AGU, comandou a Procuradoria-Geral do INSS entre 2020 e 2022 e novamente em 2023, até ser afastado pela Justiça em abril de 2025.