
Depois do recente surto de metanol em bebidas alcoólicas, que já deixou vítimas fatais no país, o Brasil enfrenta uma nova ameaça à saúde pública: o leite contaminado.
De acordo com o Diário do Litoral, uma operação da Polícia Militar Ambiental de Marília (SP) revelou um esquema de adulteração em propriedades rurais do centro-oeste paulista. A ação, batizada de “Lac Purum”, ocorreu no início do mês de outubro e contou com apoio da Defesa Agropecuária de Campinas e do GAEMA, do Ministério Público de São Paulo.
Durante o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão, os agentes encontraram 200 litros de leite com indícios de manipulação química, além de armas e munições de diferentes calibres. Segundo as investigações, produtores adicionavam substâncias ilegais ao leite para mascarar a baixa qualidade, o que pode torná-lo tóxico e impróprio para consumo humano.
Além dos alimentos adulterados, foram encontradas cinco armas de fogo e 113 munições. Um dos autuados recebeu multa de R$ 8,4 mil por impedir a regeneração de vegetação nativa em área de preservação permanente. Outra propriedade foi multada por irregularidades no manejo de gado.
A “Lac Purum” faz parte de um programa de combate a crimes rurais e ambientais ligados ao agronegócio. As amostras do leite recolhido estão sendo analisadas em laboratório, e os resultados devem confirmar quais substâncias foram usadas na adulteração.
O Ministério Público e o GAEMA seguem apurando o caso para identificar todos os envolvidos e medir o impacto à saúde pública e ao meio ambiente.
Apesar das denúncias sobre adulteração química, não existe registro de contaminação por metanol em leite. Nas redes sociais, um vídeo que simula a apresentadora Renata Vasconcellos anunciando o suposto surto viralizou, mas o conteúdo foi classificado como fake news.
Segundo o Estadão Verifica, o material foi gerado com inteligência artificial, e não há registro de que o Jornal Nacional tenha exibido qualquer reportagem sobre o tema.
Tanto o Ministério da Justiça quanto a Anvisa reforçaram que não há casos confirmados de metanol em produtos lácteos - apenas em bebidas destiladas ilegais. A circulação de informações falsas, dizem os órgãos, atrapalha a investigação real e cria pânico desnecessário entre consumidores.