
O delegado Marcelo Maceiras, da Polícia Federal (PF), deu detalhes nesta terça-feira (14) sobre a operação que levou à prisão do influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira. A ação desarticulou um esquema internacional de lavagem de dinheiro, com ramificações no tráfico de drogas e movimentações milionárias em criptomoedas, apostas on-line e empresas de fachada.
De acordo com Maceiras, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 630 milhões em bens e valores, além da apreensão de carros de luxo, aeronaves e imóveis. A investigação revelou ainda que parte dos recursos era enviada para o exterior com o uso de contas digitais e criptomoedas, estratégia usada para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Prisões em três estados e na Alemanha
A operação, batizada de Narco Bet, cumpriu 11 mandados de prisão em três estados brasileiros e contou com o apoio da Polícia Criminal Federal da Alemanha (BKA), responsável pela detenção de um dos investigados em território europeu.
Entre os alvos, está Buzeira, de 28 anos, conhecido nas redes sociais por exibir carros esportivos, joias, viagens internacionais e festas milionárias. Segundo o delegado, os indícios apontam para uma ligação direta com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua no tráfico internacional de drogas. Durante as buscas, os agentes apreenderam fuzis, pistolas, munições e roupas táticas, o que o delegado classificou como um “arsenal de guerra”.
Influência e ostentação
Buzeira soma mais de 15 milhões de seguidores no Instagram e se tornou uma das figuras mais conhecidas da chamada “cultura das bets” — o universo das apostas eletrônicas e rifas on-line. Ele promovia sorteios de carros e produtos de luxo, além de ostentar uma rotina marcada por helicópteros, festas e viagens.
A PF acredita que parte dessas atividades era usada para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas, principalmente por meio de empresas de fachada e transferências digitais com criptomoedas.
Repercussão nas redes e questionamentos
A prisão do influenciador provocou forte repercussão nas redes sociais, onde fãs e críticos dividiram opiniões. Enquanto alguns cobraram mais rigor nas investigações sobre influenciadores ligados a apostas, outros questionaram a exposição de figuras públicas antes da conclusão do processo. O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de influenciadores digitais e o impacto da ostentação financeira nas redes sociais.