Ricardo Nunes busca apoio no Congresso para limitar atuação de aplicativos de mototáxi em São Paulo

Após decisões judiciais contrárias, prefeito busca apoio na Câmara dos Deputados para aprovar proposta que obriga grandes cidades a realizarem estudos de impacto antes de liberar o serviço.

07/11/2025 às 12h21
Por: Natália Raquel
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Ricardo Nunes busca apoio no Congresso para limitar atuação de aplicativos de mototáxi em São Paulo

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), intensificou articulações em Brasília para tentar impor novas restrições ao transporte por aplicativo de motocicletas. Nas últimas semanas, Nunes se reuniu com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e lideranças de partidos aliados para discutir o projeto do deputado Maurício Neves (PP-SP), que prevê exigências para a liberação do mototáxi em cidades com mais de 500 mil habitantes.

 

A proposta, apresentada em 10 de setembro, obriga os municípios a realizarem estudos prévios sobre o impacto do serviço no trânsito, na rede de saúde e na taxa de mortalidade antes de autorizar a operação. “O projeto não proíbe o mototáxi, mas exige que cada cidade avalie suas condições e peculiaridades”, afirmou Neves, aliado político de Nunes e presidente do PP em São Paulo.

 

Segundo o deputado, a medida busca evitar aumento de acidentes e desequilíbrio no sistema de transporte municipal. “Temos mais de 44 mil táxis licenciados, mas não se sabe quantos mototáxis vão operar, nem o impacto disso no transporte e na segurança”, disse.

 

Em paralelo, o vereador Marcelo Messias (MDB), aliado do prefeito, apresentou um projeto na Câmara Municipal que proíbe o serviço na capital até que a taxa de mortalidade no trânsito caia para 4,5 mortes a cada 100 mil habitantes — hoje, segundo o Detran, o índice é de 8,8.

 

A Amobitec, entidade que reúne empresas como 99 e Uber, classificou a proposta federal como “temerária” e afirmou que ela “cria restrição indevida e injustificada ao exercício da atividade econômica”. A associação argumenta que o projeto amplia uma discussão local para todo o país e ameaça a geração de renda em 48 cidades.

 

A proposta de urgência apresentada por Neves foi protocolada em 24 de setembro e deve entrar na pauta da Câmara na próxima semana. Segundo o prefeito, o objetivo é garantir “estrutura de equipamentos de saúde compatível com a atividade, que todos sabem gerar muitos acidentes”.

 

A movimentação ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspender a lei paulista que autorizava municípios a proibir o transporte por aplicativo de motocicletas, reforçando que apenas a União pode legislar sobre políticas nacionais de trânsito e transporte.

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