
A menos de dois meses do fim do ano legislativo, Lindbergh Farias voltou ao centro das tensões na Câmara. Segundo matéria do portal Metrópoles, o líder do PT tem enfrentado desgaste crescente entre integrantes do colégio de líderes por contrariar decisões majoritárias e bater de frente com o presidente da Casa, Hugo Motta.
O episódio mais recente ocorreu em 11 de novembro, quando os dois discutiram durante a escolha de Guilherme Derrite para relatar o “PL Antifacção”. Lindbergh afirmou que a indicação tinha caráter ideológico, enquanto Motta rebateu que se tratava de prerrogativa da presidência, chegando a bater na mesa.
Parlamentares presentes disseram que a maioria apoiou o presidente depois da discussão, reforçando o isolamento do petista. A ausência de Lindbergh na reunião seguinte, realizada no gabinete de Motta, também chamou atenção, e líderes consultados apontaram a intensidade do embate como motivo para o recuo.
O deputado tem sido um dos principais críticos das propostas apresentadas por Derrite no projeto de combate a organizações criminosas. O ex-secretário de Segurança de São Paulo voltou à Câmara justamente para assumir a relatoria do texto, que também interessa ao governo.
A atuação combativa de Lindbergh, porém, vai além das reuniões internas. O petista tem acionado a Justiça contra adversários, como Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Gustavo Gayer, o que lhe rendeu o apelido informal de “PGR da Câmara” - ou Procurador-geral da Câmara -, já que, segundo relatos, “ele sai processando todo mundo”. Apesar do tom bem-humorado, a postura tem irritado parlamentares, inclusive aliados ocasionais, por envolver tanto disputas individuais quanto temas coletivos, como o motim bolsonarista pela prisão de Bolsonaro e a PEC da Blindagem.
Esse episódio, aliás, marcou outro atrito: Lindbergh contrariou o colégio de líderes ao se opor à proposta que dificultava investigações contra parlamentares. À época, ministros do STF teriam sido pressionados após o vazamento de um texto alternativo ainda mais rígido, e caciques da Câmara atribuíram ao petista a responsabilidade pelo episódio. Em plenário, Hugo Motta ironizou o parlamentar ao comentar a ameaça de judicialização: “É um direito de Vossa Excelência ir ao Supremo, como faz quase diariamente”.
No Conselho de Ética, Lindbergh responde a duas representações. Em uma delas, foi acionado pelo PL após chamar Gustavo Gayer de “canalha” e “vagabundo” ao reagir às falas ofensivas do deputado sobre Lula e Gleisi Hoffmann, atual ministra e namorada do petista. O relator votou pelo acolhimento da ação disciplinar no início de outubro, e a discussão deve ser retomada na próxima semana. Em um movimento inesperado, Sóstenes Cavalcante, líder do PL e amigo de Lindbergh desde a juventude, orientou sua bancada a votar pelo arquivamento, afirmando que as declarações do petista estão protegidas pela imunidade parlamentar.
Com a sucessão de embates, judicializações e ruídos internos, o clima na Câmara indica que o líder do PT enfrenta um momento de desgaste como poucas vezes visto em sua trajetória política.