
A primeira fase da eleição presidencial no Chile terminou em clima de forte polarização no último domingo (16), com a comunista Jeannette Jara e o conservador José Antonio Kast avançando ao segundo turno marcado para 14 de dezembro. Mais de 15,7 milhões de chilenos foram convocados às urnas no primeiro pleito com voto obrigatório desde a redemocratização, que também renovou parte do Congresso.
A ex-ministra do Trabalho de Gabriel Boric, Jeannette Jara, chegou à dianteira com cerca de 27% dos votos apurados. Aos 51 anos, ela se tornou a primeira candidata comunista a alcançar o segundo turno desde a redemocratização. Mesmo liderando, Jara enfrenta dificuldades internas, incluindo atritos com o governo e tensões com seu próprio partido. Em busca de apoio mais amplo, ela já sinalizou que pode suspender ou até renunciar à filiação comunista caso eleita, afirmando que pretende “governar os cidadãos e não um partido”.
As posições de Jara sobre Cuba e Venezuela também ganharam destaque durante a campanha. Para dialogar com o eleitorado mais ao centro, a candidata adotou discursos mais críticos e afirmou que Cuba “claramente não é uma democracia”, movimento que gerou reações dentro da própria esquerda.
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Do outro lado, José Antonio Kast garantiu vaga no segundo turno com porcentagem semelhante. Fundador do Partido Republicano, ele tenta pela segunda vez chegar à Presidência após perder para Boric em 2021. Nesta eleição, buscou um tom mais moderado, mas manteve propostas de endurecimento na segurança pública e na política migratória, temas centrais numa campanha marcada pela escalada da criminalidade no país.
Entre suas medidas mais comentadas está a ideia de obrigar migrantes irregulares a financiar o próprio retorno aos países de origem, proposta criticada pela oposição e por especialistas pela dificuldade prática, sobretudo no caso dos venezuelanos. Kast também defende cortes de 6 bilhões de dólares nos gastos públicos, plano contestado por economistas e por Boric, que teme impacto direto em áreas sociais.
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Com ambos os candidatos tecnicamente empatados e representando visões opostas, o Chile entra no segundo turno mais dividido desde 2010, com segurança pública e imigração ocupando o centro do debate nacional.