
A deputada Erika Hilton enviou um pedido formal à Secretaria Nacional do Consumidor para investigar a venda dos ingressos do GP de São Paulo de Fórmula 1 de 2026. A parlamentar afirma que o acesso do público foi prejudicado por falhas no sistema da Eventim Brasil e quer que seja apurada a possibilidade de que a empresa tenha facilitado a ação de cambistas.
Segundo relatos de fãs, os bilhetes se esgotaram em poucos minutos após o início das vendas. Houve longas filas virtuais e disponibilidade praticamente inexistente para ingressos comuns, enquanto apenas opções premium continuavam visíveis, algumas ultrapassando R$ 20 mil.
No documento, Erika Hilton questionou a rapidez com que as entradas sumiram. “Não é normal que todos os ingressos de um evento que recebe, anualmente, um público de cerca de 300 mil pessoas, estejam esgotados 7 minutos depois do início das vendas, conforme apuração da imprensa”, afirmou. A deputada também destacou que, logo após o esgotamento, anúncios de revenda começaram a surgir “acima do valor original”.
A parlamentar quer esclarecimentos sobre a quantidade real de ingressos colocados à venda. No ofício, questiona se todos os lotes foram disponibilizados e levanta a hipótese de que parte possa ter sido reservada “para cambistas, para plataformas digitais de revenda ou para a venda em futuros lotes extraordinários mais caros”. Ela também pediu informações sobre possíveis falhas nos mecanismos contra compras automatizadas e de verificação de identidade dos compradores.
Erika Hilton reforçou que a corrida é financiada com dinheiro público e exige transparência. “O GP de São Paulo ocorre em Interlagos pois a prefeitura de São Paulo paga por isso. São cerca de 132 milhões de reais por ano pagos à Fórmula 1”, declarou. Para ela, um evento bancado com recursos públicos “precisa se guiar pelas melhores práticas comerciais possíveis”.
No documento enviado à Senacon, a deputada ainda lembra que a empresa responsável já possui sentença judicial envolvendo falhas na venda de ingressos e responde a processos nos Estados Unidos por favorecimento de cambistas, segundo ações movidas pela Federal Trade Commission.