
O principal assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-chanceler Celso Amorim, deixou claro que o Brasil não irá pressionar Nicolás Maduro a renunciar por influência dos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal The Guardian, ele disse que o governo brasileiro não pretende embarcar em qualquer movimento que aumente a tensão na Venezuela, nem incentivar a ideia de oferecer asilo ao líder venezuelano, embora não descarte que Maduro possa tentar vir ao país.
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Amorim afirmou que, na visão do Planalto, uma intervenção externa desencadeada por eleições contestadas abriria precedentes perigosos. “Se cada eleição questionável desencadeasse uma invasão, o mundo estaria em chamas”, declarou. Para ele, a hipótese de uma ação militar americana na Venezuela traria consequências graves para todo o continente:
A última coisa que queremos é que a América do Sul se torne uma zona de guerra… Acabaria por ter envolvimento global e isso seria realmente lamentável.
O ex-chanceler comparou o cenário a conflitos históricos e citou a resistência latino-americana a interferências estrangeiras. “Eu conheço a América do Sul… todo o nosso continente existe graças à resistência contra invasores estrangeiros”, disse Amorim, apontando que uma ação dos EUA poderia reacender sentimentos antiamericanos na região.
Sobre a possibilidade de Maduro pedir asilo ao Brasil, Amorim evitou alimentar especulações, mas reconheceu que não seria algo inédito:
O asilo é uma instituição latino-americana para pessoas tanto de direita quanto de esquerda”, afirmou. Ele lembrou que, em 2005, quando era ministro das Relações Exteriores, o Brasil concedeu refúgio ao ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez. “Chegamos a enviar um avião para buscá-lo.