Câmara aprova projeto que reduz penas de Bolsonaro e aliados

Projeto reduz penas ao unificar crimes e acelerar progressão de regime, o que pode encurtar a prisão de Bolsonaro e aliados.

10/12/2025 às 10h20
Por: Natália Raquel
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Foto: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados
Foto: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quarta-feira (10) o projeto de lei da dosimetria, que altera o cálculo das penas aplicadas a condenados por atos golpistas, entre eles os ataques de 8 de janeiro de 2023. O texto pode reduzir o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre Ramagem, Walter Braga Netto e Augusto Heleno.

 

A proposta determina que o crime de golpe de Estado, que prevê punição mais alta, absorva o de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A mudança retira da soma das penas delitos que hoje são aplicados de forma cumulativa. Cálculos da equipe do relator estimam que Bolsonaro permaneceria mais 2 anos e 4 meses no regime fechado caso o projeto seja sancionado.

 

O texto também reduz o período mínimo para progressão de regime: em vez de um quarto da pena, o condenado poderá deixar o regime fechado após cumprir um sexto. O projeto ainda autoriza o abatimento de dias de pena a quem trabalhou durante prisão domiciliar com tornozeleira, descontando um dia a cada três trabalhados.

 

Como as penas serão recalculadas

 

O crime de golpe de Estado passa a prevalecer sobre o de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A revisão das sentenças caberá ao STF, que definirá os novos totais conforme a legislação, aplicando eventual acréscimo previsto na regra de absorção.

 

A progressão mais rápida poderá antecipar a migração para os regimes semiaberto e aberto. O texto também amplia a detração penal, permitindo descontar períodos de prisão domiciliar monitorada.

 

Situação de Bolsonaro

 

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses por cinco crimes:

 

  • organização criminosa: 7 anos e 7 meses;
  • abolição violenta do Estado Democrático de Direito: 6 anos e 6 meses;
    golpe de Estado: 8 anos e 2 meses;
  • dano qualificado: 2 anos e 6 meses;
  • deterioração de patrimônio: 2 anos e 6 meses.

 

A absorção do crime de abolição violenta reduziria imediatamente seis anos e meio da soma original. O total, porém, ainda dependerá da nova dosimetria que será definida pelos ministros do STF.

 

A condenação separou as penas em:

– 24 anos e 9 meses de reclusão, que exigem início em regime fechado;

– 2 anos e 6 meses de detenção, cumpridos em regime mais brando.

 

O ex-presidente já contabiliza tempo de prisão domiciliar com tornozeleira, medida aplicada desde 4 de agosto após desrespeito a cautelares impostas em julho. A Lei de Execução Penal permite descontar esse período na revisão da pena.

 

Outros condenados afetados

O projeto alcança todos os integrantes do núcleo central da trama golpista apontado pelo STF. Entre eles:

 

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin, foragido nos EUA;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, general da reserva e ex-chefe do GSI, preso em Brasília;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general da reserva e ex-ministro da Defesa, preso em Brasília;
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil, preso no Rio desde dezembro de 2024.

 

O STF terá de reavaliar cada sentença caso o projeto avance no Senado e seja sancionado.

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