Segundo aliados, Lula está inseguro com o futuro incerto da Câmara dos Deputados

Presidente acha que Motta está 'sem rumo' e teme cenário conservador na Câmara dos Deputados

15/12/2025 às 12h03
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Presidente Lula - Reprodução: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Presidente Lula - Reprodução: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Aliados próximos ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicam que o chefe do Executivo Federal está desenvolvendo uma crescente falta de confiança no desempenho de Hugo Motta (Republicanos-PB), que preside a Câmara dos Deputados. Nos corredores do Palácio do Planalto, a percepção é de que Motta tem adotado uma gestão sem rumo definido no comando da Casa, um fator que eleva a apreensão do governo, especialmente em vista do panorama projetado para o Congresso Nacional a partir de 2026.

Segundo indivíduos ligados a Lula, o presidente considera o dirigente Hugo Motta como um líder imprevisível. Decisões tomadas recentemente, como a inclusão na pauta do projeto de lei sobre dosimetria no início da madrugada e a subsequente votação dos processos de cassação dos deputados Glauber Braga (PSOL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP), intensificaram a sensação de ausência de direcionamento.

Para a equipe do Planalto, tais ações revelam não apenas instabilidade, mas também fragilidade política. Lula também tem expressado ressalvas quanto à conduta de parte dos parlamentares, mencionando dificuldades em estabelecer um diálogo produtivo e questionando a capacidade da instituição legislativa de abordar questões consideradas fundamentais para a sociedade.

Embora o presidente evite manifestar-se publicamente de forma direta contra Motta, sua credibilidade no deputado não é mais a mesma. Interlocutores relatam que Lula chegou a sinalizar uma aproximação mais substancial, incluindo a possibilidade de uma coalizão eleitoral na Paraíba em 2026, mas não sentiu a devida reciprocidade. A análise do governo é que Motta busca manter-se neutro, evitando compromissos claros com qualquer espectro político.

Acúmulo de Atritos

O relacionamento entre o Poder Executivo e o presidente da Câmara já estava abalado desde julho, quando Motta quebrou um consenso ao acelerar a tramitação de uma proposta que visava anular um decreto referente ao IOF e comunicou a decisão por meio das redes sociais.

Fontes internas do governo avaliam que a semana passada foi especialmente prejudicial para Motta. Além de provocar descontentamento tanto em membros da base governista quanto em bolsonaristas, incidentes envolvendo atritos com repórteres e a maneira como as votações foram conduzidas teriam exposto sérias debilidades perante o Centrão.

O episódio da tentativa de perda de mandato de Glauber Braga é frequentemente citado como exemplo. Ao notar a chance de um acordo para proteger o parlamentar, Motta teria iniciado contatos telefônicos com aliados durante a sessão, um gesto interpretado por integrantes do PT como sinal de perda de controle. Vídeos e registros fotográficos desses momentos circularam em grupos internos do governo, acompanhados de críticas e comentários sarcásticos.

As reclamações estão sendo vocalizadas de maneira mais explícita pelos ministros. Na última sexta-feira (12), o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou a gestão das pautas recentes como grave. Para ele, a decisão de votar cassações e o PL da dosimetria durante a madrugada, enquanto assuntos cruciais para o cidadão comum são deixados de lado, configura um erro político de peso.

A apreensão de Lula se intensifica ao vislumbrar o ciclo eleitoral de 2026. Já em minoria no Legislativo atual, o presidente teme a formação de um Parlamento ainda mais conservador e, em sua óptica, com menor qualidade política.

O diagnóstico no Planalto é que o governo tem conseguido obter a aprovação de projetos estratégicos, como a reforma da tributação de renda e medidas para a redução do custo da energia elétrica, mas a um preço alto em termos de negociações e desgaste. Os obstáculos mais severos, segundo assessores, surgem em temas de natureza social e ideológica.

Diante desse quadro, Lula tem incentivado ativamente que membros do PT e aliados da centro-esquerda com potencial eleitoral se candidatem a vagas no Congresso. A estimativa interna é que pelo menos 22 dos 38 ministros renunciem aos seus postos para disputar o pleito de 2026, majoritariamente buscando assentos parlamentares.

Proposta de Reforma Política

O Partido dos Trabalhadores (PT) também planeja reavivar a discussão sobre reforma política. O presidente da sigla, Edinho Silva, defende modificações no sistema eleitoral, incluindo a adoção do voto em lista partidária, como estratégia para fortalecer os partidos e diminuir a influência de candidaturas individuais impulsionadas por plataformas digitais.

Em pronunciamentos recentes, Lula tem enfatizado que o destino do país está intrinsecamente ligado à escolha dos deputados, senadores, governadores e do Presidente da República. Na visão do líder, a qualidade da representação política será o fator decisivo para determinar se o Brasil progredirá ou enfrentará retrocessos nos próximos anos.

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