
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), convocará sua equipe de ministros na próxima quarta-feira (17), para a derradeira reunião do ano, na residência oficial da Granja do Torto, em Brasília. O encontro tem como foco central a avaliação dos três anos de gestão, a pauta de compromissos programados para 2026, e, em especial, o planejamento das desvinculações dos auxiliares que almejam concorrer nas próximas eleições.
O prazo estipulado por lei para a desincompatibilização encerra-se no começo de abril, seis meses antes da primeira rodada de votação. No total, 22 ministros têm a possibilidade de deixar seus postos até essa data.
O titular da pasta da Fazenda, Fernando Haddad, já indicou sua intenção de se afastar em fevereiro, a fim de gerenciar a campanha de Lula à recondução. Adicionalmente a ele, outros 19 ministros consideram disputar posições nos governos estaduais, no Senado ou na Câmara dos Deputados. Mais dois membros da Esplanada também devem solicitar afastamento no período, por razões diversas.
Ainda que exerça a Vice-Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSB) deve desocupar a liderança do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para concorrer como vice na chapa de Lula ou buscar o comando do estado de São Paulo.
Outros nomes cotados para concorrer a executivos estaduais incluem:
Renan Filho (MDB), atual ministro dos Transportes, no estado de Alagoas;
Márcio França (PSB), à frente do Ministério do Empreendedorismo, em São Paulo, caso Alckmin se mantenha na disputa presidencial.
O Executivo federal está catalogando uma extensa relação de ministros com interesse em concorrer a assentos no Senado:
Simone Tebet (MDB), Planejamento e Orçamento, por Mato Grosso do Sul ou São Paulo;
Anielle Franco (PT), Igualdade Racial, visando o Rio de Janeiro;
Marina Silva (Rede), Meio Ambiente, por São Paulo;
Alexandre Silveira (PSD), Minas e Energia, no estado de Minas Gerais;
Carlos Fávaro (PSD), Agricultura, por Mato Grosso;
Silvio Costa Filho (Republicanos), Portos e Aeroportos, por Pernambuco;
Rui Costa (PT), Casa Civil, na Bahia;
André Fufuca (PP), Esportes, pelo Maranhão;
Celso Sabino (sem partido), Turismo, no Pará.
Fufuca e Sabino enfrentaram solicitações de seus respectivos partidos para deixarem o governo, mas decidiram continuar. Ambos ponderaram que o suporte de Lula teria maior valor eleitoral do que a adesão a agrupamentos do Centrão. Sabino foi desligado do União Brasil em 8 de dezembro; Fufuca aguarda deliberação.
A variedade de pré-candidaturas ao Senado aponta que a expansão da base aliada na Casa Legislativa é um dos alvos prioritários de Lula para 2026. Essa movimentação se dá em paralelo à estratégia de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que buscam conquistar a maioria no Senado para impulsionar propostas da extrema-direita, como solicitações de impeachment de magistrados do STF.
Entre os ministros que podem concorrer a mandatos na Câmara, encontram-se:
Luiz Marinho (PT), Trabalho, por São Paulo;
Wolney Queiroz (PDT), Previdência, por Pernambuco;
Sônia Guajajara (PSOL), Povos Indígenas, em São Paulo;
André de Paula (PSD), Pesca, por Pernambuco;
Paulo Teixeira (PT), Desenvolvimento Agrário, em São Paulo;
Jader Filho (MDB), Cidades, pelo Pará;
Gleisi Hoffmann (PT), Relações Institucionais, no Paraná.
Além dos auxiliares com pretensões eleitorais, outras duas substituições são esperadas. O ministro da Defesa, José Múcio, já havia entregue seu pedido de exoneração há meses e permanece na função a pedido de Lula. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, deve se desligar da administração para assumir a direção de marketing da campanha de reeleição do presidente.
Lula também terá o desafio de designar, no começo de 2026, o sucessor de Jorge Messias na Advocacia-Geral da União. Messias foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal e tem agendada sabatina para fevereiro. Após a aprovação, ele deve deixar o posto governamental para tomar posse no novo cargo. Essa modificação não está diretamente vinculada ao ciclo eleitoral e, portanto, não foi computada na projeção.