
O desembargador, Macário Judice Neto, encarregado da relatoria do processo envolvendo o caso TH Joias no Tribunal Regional Federal (TRF-2), foi preso nesta terça-feira (16), pela Polícia Federal (PF) durante a “Operação Unha e Carne 2”. A investida policial apura o repasse de dados confidenciais que favoreceriam a facção criminosa Comando Vermelho (CV).
A PF está executando, ainda hoje, uma ordem de detenção e 10 mandados de busca e apreensão, todos emitidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos mandados de busca foi determinado contra o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil), que, na fase inicial da operação, chegou a ser preso, mas foi liberado posteriormente pelo plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Agora, ele novamente se torna alvo de diligências da PF.
Macário é o relator da ação judicial que implica o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, que está recluso sob acusação de vínculos com o Comando Vermelho. Esta segunda etapa da “Operação Unha e Carne” investiga a divulgação indevida de informações da “Operação Zargun”.
O desembargador foi detido em sua residência, localizada na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (16). Curiosamente, ele próprio havia sido o responsável por expedir a ordem de prisão contra o então deputado TH Joias, no âmbito da “Operação Zargun”.
Em 2023, Macário retornou à magistratura e ascendeu ao cargo de desembargador após um afastamento de 17 anos, motivado por sua atuação controversa como juiz federal no Espírito Santo. A atual operação da PF também está cumprindo diligências nesse estado.
O afastamento, à época, foi fundamentado em acusações do Ministério Público Federal (MPF). Ele também foi acusado de negociar decisões judiciais em um processo criminal. A esposa de Macário, Flávia Judice, trabalhava no gabinete da diretoria-geral da Alerj até o início de novembro, período em que a investigação já estava em andamento, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo.
No dia 3 de dezembro, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, foi convidado para um “reunião” com o superintendente da PF no Rio de Janeiro, Fábio Galvão. Ao chegar, ele recebeu voz de prisão e teve seu telefone móvel confiscado. A PF encontrou e apreendeu R$ 90 mil em espécie no automóvel do parlamentar.
Bacellar é suspeito de vazar dados sigilosos da “Operação Zargum”, ocorrida em setembro, quando o deputado estadual TH Joias foi encarcerado.
TH Joias foi detido por delitos de comércio ilegal de entorpecentes, corrupção e lavagem de capitais. Ele é apontado como negociador de armamentos para o Comando Vermelho. Assumiu o mandato legislativo em junho, mas perdeu a função após ser preso.
A detenção de Bacellar foi efetuada após o mandado expedido por Moraes, do STF. O ministro também o afastou da presidência da Alerj. Moraes declarou haver “fortes indícios” da participação de Bacellar em um esquema criminoso organizado.