
Durante o encontro de ministros nesta quarta-feira (17), o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu um “inferno no campo fiscal” como legado das administrações de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).
“O presidente herdou um inferno no campo fiscal depois de 7 anos de governos de direita e extrema direita. Eles se apresentam como os campeões da responsabilidade fiscal, é só pegar os números de 7 anos. Tem nada a ver uma coisa com a outra”, disparou o ministro, questionando a retórica de austeridade de seus antecessores.
A crítica de Haddad fundamenta-se em um rombo estimado em R$ 200 bilhões, fruto da suspensão das dívidas judiciais (precatórios) e do silenciamento sobre gastos já previstos no erário. Um ponto emblemático mencionado foi a ausência de previsão orçamentária para a manutenção do valor ampliado do Bolsa Família no planejamento deixado pela equipe de Bolsonaro para valer a partir de 2023.
Ao expor os indicadores econômicos da atual gestão, Haddad destacou pontos positivos como:
Mercado de Trabalho: Índices de desemprego em níveis historicamente baixos.
Poder de Compra: Recuperação do valor real do salário mínimo.
Equilíbrio: Blindagem de recursos para o bem-estar social em conformidade com as diretrizes fiscais.
“É isso que faz a virtude do governo. Um governo que está conseguindo equilibrar as variáveis macroeconômicas para dar solidez e impulso para um ciclo de desenvolvimento duradouro”, sustentou o ministro.
O Executivo empenha esforços para encerrar 2025 cumprindo o objetivo de déficit zero estabelecido pelo Arcabouço Fiscal. A legislação, contudo, permite uma margem de manobra de 0,25% do PIB, o que autoriza um saldo negativo de até R$ 31 bilhões sem ferir a norma.
No horizonte político, desenha-se a saída de Haddad do comando da economia até abril de 2026. Embora o movimento ainda não tenha sido oficializado, as articulações internas apontam para Dario Durigan, atual secretário-executivo e braço direito do ministro, como o sucessor favorito para dar continuidade aos projetos da pasta.