Para Haddad, Lula “herdou o inferno no campo fiscal” após governo Bolsonaro

Ministro criticou governos de direita e direita que, segundo ele, não têm as melhores práticas de respeito às regras fiscais

17/12/2025 às 13h22
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
Presidentee Lula e Ministro Haddad - Reprodução: Ricardo Stuckert
Presidentee Lula e Ministro Haddad - Reprodução: Ricardo Stuckert

Durante o encontro de ministros nesta quarta-feira (17), o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu um “inferno no campo fiscal” como legado das administrações de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).

“O presidente herdou um inferno no campo fiscal depois de 7 anos de governos de direita e extrema direita. Eles se apresentam como os campeões da responsabilidade fiscal, é só pegar os números de 7 anos. Tem nada a ver uma coisa com a outra”, disparou o ministro, questionando a retórica de austeridade de seus antecessores.

A crítica de Haddad fundamenta-se em um rombo estimado em R$ 200 bilhões, fruto da suspensão das dívidas judiciais (precatórios) e do silenciamento sobre gastos já previstos no erário. Um ponto emblemático mencionado foi a ausência de previsão orçamentária para a manutenção do valor ampliado do Bolsa Família no planejamento deixado pela equipe de Bolsonaro para valer a partir de 2023.

Ao expor os indicadores econômicos da atual gestão, Haddad destacou pontos positivos como:

  • Mercado de Trabalho: Índices de desemprego em níveis historicamente baixos.

  • Poder de Compra: Recuperação do valor real do salário mínimo.

  • Equilíbrio: Blindagem de recursos para o bem-estar social em conformidade com as diretrizes fiscais.

“É isso que faz a virtude do governo. Um governo que está conseguindo equilibrar as variáveis macroeconômicas para dar solidez e impulso para um ciclo de desenvolvimento duradouro”, sustentou o ministro.

Metas e Transição na Fazenda

O Executivo empenha esforços para encerrar 2025 cumprindo o objetivo de déficit zero estabelecido pelo Arcabouço Fiscal. A legislação, contudo, permite uma margem de manobra de 0,25% do PIB, o que autoriza um saldo negativo de até R$ 31 bilhões sem ferir a norma.

No horizonte político, desenha-se a saída de Haddad do comando da economia até abril de 2026. Embora o movimento ainda não tenha sido oficializado, as articulações internas apontam para Dario Durigan, atual secretário-executivo e braço direito do ministro, como o sucessor favorito para dar continuidade aos projetos da pasta.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários