
Em um balanço das atividades da gestão paulista em 2025, realizado nesta quinta-feira (18) no Palácio dos Bandeirantes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) assegurou que o domínio de organizações criminosas sobre as penitenciárias de São Paulo foi extinguido. A fala ocorre pouco tempo após o chefe do Executivo estadual proclamar a erradicação da Cracolândia.
Sem mencionar diretamente o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que historicamente exerce influência no sistema carcerário brasileiro, Tarcísio foi enfático ao declarar a retomada da soberania pública:
“Manter o sistema prisional em ordem. Quem fala que há um controle das facções nos presídios. Não há. Não há mais. Esse tempo passou. Hoje há um controle do Estado. O Estado comanda os presídios”, garantiu o governador.
Para sustentar essa tese, ele destacou o trabalho conjunto entre as forças policiais e o Ministério Público (MP-SP), além do aporte de R$ 1,5 milhão em estratégias contra o crime organizado. Outro ponto alto de seu discurso foi o RecuperaSP, iniciativa que reverte bens e valores confiscados de criminosos para o orçamento da segurança — programa que já arrecadou cerca de R$ 90 milhões.
Tarcísio também reforçou o sucesso das ações na região central da capital, onde, em 13 de novembro, comemorou via redes sociais o fim das cenas abertas de consumo de entorpecentes.
Segundo o governador:
“O que está acontecendo no centro de São Paulo é resultado de políticas públicas integradas, colocadas como prioridade real, não como discurso. Segurança, saúde e acolhimento trabalhando juntos, com coragem e propósito, estão devolvendo o coração da cidade às pessoas”.
Entretanto, o anúncio é recebido com ceticismo por especialistas e moradores. Embora a gestão celebre a desmobilização, a realidade nas ruas ainda aponta para a existência de grandes agrupamentos de dependentes químicos. Conforme reportado pelo portal Metrópoles, centenas de usuários continuam circulando entre as áreas periféricas e as zonas mais valorizadas da metrópole.
A narrativa do "fim" da Cracolândia e o endurecimento no sistema carcerário servem como vitrine política para Tarcísio, consolidando sua imagem como potencial sucessor de Jair Bolsonaro. Essa movimentação ocorre em um cenário de disputa interna na direita, onde o senador Flávio Bolsonaro também se posiciona como alternativa para o pleito presidencial de 2026.
Embora promessas de liquidar a maior cena de uso de drogas do país tenham sido comuns entre governadores nas últimas décadas, Tarcísio aposta no diferencial de sua integração entre saúde e segurança para colher frutos eleitorais.