Milene Domingues fala sobre preconceito vivido como jogadora de futebol nos anos 90: “Destinada a ser homossexual”

Ex-jogadora relembra machismo, dificuldades financeiras no esporte e orgulho do filho Ronald em projetos sociais

18/12/2025 às 15h39 Atualizada em 18/12/2025 às 15h39
Por: Mateus Pereira Fonte: Quem
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Foto: Instagram: @milenedomingues
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Milene Domingues, uma das pioneiras do futebol feminino no Brasil, voltou a falar abertamente sobre o preconceito que enfrentou ao longo da carreira. Conhecida nos anos 90 como a Rainha das Embaixadinhas, ela revelou que, por se destacar em um esporte visto como masculino, teve sua orientação sexual constantemente questionada, inclusive quando se relacionava com Ronaldo. “Eu já estava destinada a ser homossexual porque gostava de jogar bola e jogava futebol”, afirmou em entrevista à revista Quem.

Segundo Milene, o machismo era explícito e vinha acompanhado da tentativa de “masculinizar” mulheres que praticavam futebol. Para ela, o cenário mudou com o tempo, embora ainda existam desafios. “Hoje é mais tranquilo porque as pessoas entenderam que orientação sexual não tem nada a ver com gostar ou praticar um esporte”, disse a ex-jogadora, que atualmente namora o ex-atleta André Luiz Moreira.

Além do preconceito, Milene destacou as dificuldades estruturais enfrentadas pelas atletas de sua geração. Ela contou que não era possível viver apenas do futebol e que a instabilidade era constante. “Tinha campeonato em um ano e no outro você não sabia se ia ter clube para jogar. A gente nunca viveu só do futebol”, relatou. De acordo com ela, somente em 2020 as jogadoras passaram a ter carteira assinada no Brasil.

 
 
 
 
 
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Hoje embaixadora do time feminino do Corinthians, Milene afirmou que se realiza ajudando outras meninas a conquistarem o que ela não pôde como atleta. “Tudo que eu não conquistei como jogadora, me realizo ajudando outras meninas”, declarou. Ela também reforçou a importância de educar as famílias para combater o preconceito, especialmente entre jovens que vivem em situação de vulnerabilidade.

Por fim, Milene fez questão de elogiar o filho, Ronald, pelo envolvimento em projetos beneficentes ligados ao futebol feminino. Segundo ela, o jovem, fruto de seu relacionamento com Ronaldo Fenômeno, entende o lugar de privilégio que ocupa e carrega valores aprendidos dentro de casa. “Eles aprenderam observando na prática com as atitudes dos pais. Vão levar esses valores para outras gerações”, concluiu.

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