Contra às expectativas, Lula garante boa relação com Trump: “Terminamos amigos”

Presidente também faz votos de que o Brasil não seja 'dominado' pelos algoritmos e criticou o que chamou de 'período de ódio' na política brasileira

23/12/2025 às 15h03
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR
Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR

Em solenidade realizada na sede do Governo Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou o reconhecimento da cultura gospel como patrimônio cultural do Brasil. Durante o encontro, que reuniu diversas lideranças religiosas e políticas, o mandatário aproveitou para traçar um balanço otimista sobre o encerramento de 2025, minimizando os impactos das recentes barreiras alfandegárias norte-americanas.

Lula destacou o alívio na inflação de mantimentos e surpreendeu ao comentar sua relação com o presidente dos Estados Unidos:

"O ano termina bem. O preço do alimento está caindo, as pessoas estão voltando a acessar coisas que ficaram mais caras. Mesmo a taxação que os Estados Unidos fizeram contra o Brasil terminou sendo irrelevante", afirmou Lula. "Quando muita gente imaginava que eu e o Trump iríamos entrar em guerra, nós terminamos virando amigos. Ora, porque temos de acreditar sempre. Desacreditar jamais."

O decreto assinado visa integrar as expressões artísticas ligadas à fé cristã no rol das políticas públicas de incentivo à cultura. O presidente creditou a iniciativa à senadora Eliziane Gama (PSD-MA), presente no palco ao lado de figuras como Jorge Messias (AGU), Marina Silva e Benedita da Silva.

Ao formalizar o ato, Lula enfatizou o caráter reparador da medida:

"Na política é assim, a gente nunca agradece quem ajudou a gente", disse o presidente, ao fazer um agradecimento à parlamentar pela sugestão. "A tua reivindicação está sendo atendida porque é fazer justiça ao povo evangélico e à música gospel", declarou o presidente da República à senadora. "A assinatura deste decreto representa mais um passo importante de acolhimento e respeito à comunidade do povo evangélico no Brasil. É um ato simples, mas com força simbólica muito profunda", afirmou.

Humanismo e Críticas à Era Digital

Em um tom reflexivo, o chefe do Executivo abordou o impacto das redes sociais na convivência democrática, pedindo uma sociedade menos dependente da inteligência artificial e dos mecanismos de engajamento virtual:

"Que este ato de reconhecimento fortaleça os artistas, os músicos, os corais, os compositores, os fiéis e todos aqueles que, com talento e fé, ajudam a construir pontes de diálogo, paz e compreensão no nosso País. Que possamos seguir cantando, cada um à sua maneira, mas sempre com respeito, amor, compromisso com um Brasil mais justo, mais humano, mais fraterno, e um País menos algoritmizado", disse.

Aos 80 anos, ele reafirmou sua missão de preservar a essência humana frente à tecnologia:

"Uma das lutas que eu pretendo fazer neste momento histórico da minha vida, com 80 anos, é tentar reeducar o ser humano a não perder o que ele tem de essencial, que é o humanismo. Não temos o direito de sermos dominados pelos algoritmos".

Encerrando o evento, Lula compartilhou uma visão pessoal sobre sua jornada e lamentou o clima de hostilidade que se instalou no debate público nacional, classificando-o como um desafio sem precedentes:

"Este dia de hoje é um dia gratificante para mim. Digo sempre que se tem alguém que tem de agradecer todo santo dia a Deus, sou eu. Porque, na minha vida, aconteceu quase tudo que não estava previsto acontecer", disse. "Eu já fui presidente outras vezes. Já disputei muitas eleições. Nunca vivi um período de ódio estabelecido na política brasileira. E a quantidade de leviandades e mentiras que são jogadas todo santo dia, sem nenhum compromisso com a verdade".

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