
O governo da Venezuela enviou uma carta aos 194 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) alertando para o que classifica como uma escalada militar dos Estados Unidos. O documento, encaminhado na segunda-feira (22), afirma que o silêncio dos chefes de Estado diante das ações norte-americanas pode levar o mundo a um novo conflito global.
No texto, o presidente Nicolás Maduro faz uma comparação histórica e adota um tom de alerta. “Na década de 1930, o silêncio frente ao ascenso do nazismo conduziu ao Holocausto e a uma guerra mundial. Hoje, guardadas as diferenças históricas, a lógica é a mesma”, escreveu. Segundo ele, tolerar o uso unilateral da força e o saque de recursos de países soberanos pode empurrar o planeta para “um cenário de confrontação global imprevisível”.
Maduro afirma que não cometeu atos que justificassem uma ação militar e acusa os Estados Unidos de realizarem, desde o início da mobilização na região, 28 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico, que teriam deixado 104 mortos. Washington sustenta que as operações têm como alvo o combate a “narcoterroristas”.
Na carta, o líder chavista também cita supostas violações ao direito internacional, mencionando as Convenções de Genebra de 1949 e o Protocolo Adicional I de 1977, ao acusar os EUA de ameaçarem civis e náufragos com o deslocamento de navios e aeronaves próximos ao território venezuelano.
Para Maduro, os impactos da ofensiva não se limitariam à Venezuela. “Advertimos que estas agressões não impactarão apenas a Venezuela. O bloqueio contra o comércio energético venezuelano afetará o suprimento de petróleo e energia, aumentará a instabilidade dos mercados internacionais e golpeará as economias da América Latina e do Caribe”, afirmou, pedindo que os países condenem as ações e exijam o cessar imediato do desdobramento militar.
Em agosto deste ano, os Estados Unidos deslocaram navios de guerra, fuzileiros, um submarino nuclear, caças F-35 e o porta-aviões USS Gerald R. Ford para a América Latina e o Caribe. A ordem partiu do então presidente Donald Trump, sob a justificativa de combater o narcotráfico, após Maduro ser apontado como chefe do chamado Cartel de Los Soles.