Entenda o motivo por trás dos EUA bombardearem o Estado Islâmico na Nigéria

O presidente dos EUA acusa o grupo de matar cristãos, enquanto o ministro das Relações Exteriores da Nigéria afirma à BBC que os ataques foram uma 'operação conjunta' e 'não têm nada a ver' com religião

26/12/2025 às 12h02
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: US Department of Defense / BBC News Brasil
Reprodução: US Department of Defense / BBC News Brasil

Uma ofensiva militar coordenada pelos Estados Unidos atingiu redutos do Estado Islâmico (EI) na porção noroeste da Nigéria, região que há anos sofre com o avanço de milícias extremistas. Os bombardeios se concentraram em bases operacionais no estado de Sokoto, vizinho ao Níger. Segundo o comando das Forças Armadas americanas, uma "avaliação inicial" indica que a ação resultou em "múltiplas" baixas entre os militantes.

O republicano Donald Trump descreveu as investidas como "poderosos e mortais", rotulando os alvos como "escória terrorista". Segundo sua visão, o grupo estaria "atacando e matando cruelmente, principalmente, cristãos inocentes". Por outro lado, o chanceler nigeriano, Yusuf Maitama Tuggar, ressaltou à BBC o caráter colaborativo da missão, enfatizando que a operação "não tinha nada a ver com uma religião específica".

De acordo com o governo nigeriano, o plano foi arquitetado "há bastante tempo", utilizando dados estratégicos colhidos localmente. Embora novos ataques dependam das "decisões a serem tomadas pelas lideranças dos dois países", Trump reforçou seu posicionamento no Truth Social: “sob minha liderança, nosso país não permitirá que o terrorismo islâmico radical prospere”.

Divergências Narrativas: Religião vs. Segurança

Existe uma clara dissonância entre o discurso da Casa Branca e as análises locais:

  • A Visão de Trump: O presidente classificou a Nigéria como um "país de especial preocupação" devido a uma suposta "ameaça existencial" aos cristãos, termo usado para nações "envolvidos em graves violações da liberdade religiosa".

  • A Realidade em Campo: Daniel Bwala, assessor da presidência nigeriana, ponderou que, embora a ajuda externa seja bem-vinda, a Nigéria é um país "soberano". Ele e grupos de monitoramento, como o Acled, apontam que os jihadistas matam indiscriminadamente, sendo a maioria das vítimas muçulmanas.

  • Conflitos Rurais: No centro do país, disputas por recursos entre pastores (muçulmanos) e agricultores (cristãos) geram violência mútua, sem provas de perseguição religiosa unilateral.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, manifestou-se no X (antigo Twitter) declarando-se "grato pelo apoio e cooperação do governo nigeriano", finalizando com um "Feliz Natal!". Em nota oficial, Abuja confirmou que a parceria internacional resultou em "ataques precisos contra alvos terroristas na Nigéria por meio de ataques aéreos no noroeste".

Esta movimentação ocorre em paralelo a outras demonstrações de força global, como o recente "ataque maciço" na Síria, onde o Centcom, com apoio da Jordânia, "atacou mais de 70 alvos em vários locais na região central da Síria".

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